MERCADO INTERNACIONAL

Exportações de cachaça aumentaram em 2021 em Pernambuco e no Brasil

As vendas da cachaça brasileira ao exterior cresceram mais de 38% em valor em 2021. Os Estados que mais exportaram foram São Paulo e Pernambuco

Angela Fernanda Belfort
Angela Fernanda Belfort
Publicado em 15/01/2022 às 7:30
 Leo Motta/JC Imagem
A fábrica da Pìtú exporta 2% da sua produção. A planta fica em Vitória de Santo Antão na Zona da Mata de Pernambuco - FOTO: Leo Motta/JC Imagem
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As exportações brasileiras de cachaça cresceram quase 38,39% em valor e 29,52% em volume em 2021, comparando com o ano anterior, segundo dados do Comex Stat (oficiais do governo federal) levantados pelo Instituto Brasileiro da Cachaça (Ibrac). Os Estados que ocuparam o primeiro e segundo lugar neste ranking foram, respectivamente, São Paulo e Pernambuco. "Isso demonstra uma retomada da cachaça no mercado externo e ocorreu devido a um conjunto de fatores, como a volta dos embarques que foram represados por causa da pandemia do coronavíorus e um crescimento do mercado com o crescimento significativo em alguns destinos", explica o diretor executivo do Ibrac, Carlos Lima. Pernambuco, as vendas de cachaça ao exterior registraram um aumento de 43,15% em termos de valor e 28,68% em termos de volume.

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As exportações de cachaça em 2021 alcançaram quase um patamar próximo ao de 2019, o que é considerado bom, por causa do impacto que a crise sanitária provocou nos negócios, em todo o mundo, nos últimos dois anos. "Alguns dos nossos principais mercados aumentaram as compras em valor e em consumo, como é o caso do Paraguai, Alemanha, Estados Unidos e Portugal", afirma Carlos. Entre os seis países que mais compram o produto, os maiores aumentos em valor ficaram com Portugal (123%), Estados Unidos (56,22%) e Itália (48,54%). Neste grupo, somente a França apresentou queda no valor comprado de 30,39%. A cachaça brasileira é exportada para mais de 70 nações.

 

Em 2021, foram vendidos ao exterior 7,22 milhões de litros de cachaça, que resultaram num faturamento de US$ 13,17 milhões, segundo os dados compilados pelo Ibrac. Estes números ainda podem sofrer uma alteração nos primeiros meses de 2022. As exportações dos produtores de São Paulo alcançaram U$6,09 milhões e as de Pernambuco chegaram a U$ 1,84 milhão. Os dois Estados também foram os que mais venderam cachaça ao exterior em termos de volume. São Paulo e Pernambuco venderam, respectivamente, 3,15 milhões de litros e 1,95 milhão de litros.

"Depois da retração nas exportações em 2020, tivemos em 2021 um cenário de recuperação, graças ao avanço da vacinação ao redor do mundo. Apesar dos desafios logísticos, conseguimos abrir novos clientes e expandir algumas áreas de distribuição em determinados países", respondeu, por e-mail, o presidente da Pitú, Alexandre Ferrer. A empresa produz 93 milhões de litros de bebida por ano e exporta 2% da sua produção.

A Pítu foi uma das primeiras empresas brasileiras a divulgar a cachaça no mercado internacional e atua neste mercado há 83 anos. Alexandre considera o atual cenário econômico ainda "de muita incerteza", mas diz, sem acrescentar detalhes, que a empresa vai expandir "a sua capacidade de armazenagem e carregamento da aguardente, melhorando a velocidade de atendimento aos clientes na fábrica".

Com uma produção anual que pode chegar aos 25 mil litros por ano, a Cachaçaria Sanhaçu "exporta pouco" mas destina 4% de tudo que fabrica ao exterior. E quase 100% da sua exportação vai para a Suíça numa operação que começou a ser feita em 2020 durante a pandemia. "Está ocorrendo uma valorização da cachaça no mercado internacional e nacional. Esta venda para a Suíça foi um cliente que nos visitou, voltou e fechou o contrato. Ele tem uma loja que vende rum na Suíça", resume a diretora comercial da Sanhaçu, Elk Barreto.

Toda a cachaça feita pela Sanhaçu é orgânica. A empresa produz quatro marcas na linha de produção e mais edições especiais. Uma delas é uma cachaça que é produzida apenas em 365 garrafas, sendo uma para cada dia do ano. "É um blend especial, envelhecido e tem muita saída", conta Elk.

CAPACITAÇÃO

A expectativa do Ibrac é que as exportações de cachaça continuem crescendo. A entidade está fazendo uma capacitação com micro e pequenos produtores em todo o Nordeste, além de ter expectativa de voltar a desenvolver as ações de um projeto desenvolvido com a Agência de Promoção às Exportações (Apex) que visa executar ações de promoção da cachaça no mercado internacional. "A nossa perspectiva é de otimismo com as exportações. Este projeto foi assinado em 2020, mas com a pandemia ocorreram dificuldades operacionais", comenta Carlos Lima. A crise sanitária provocou o adiamento de voos, eventos etc.

Ainda se referindo à boa performance das exportações de cachaça mesmo na pandemia, Carlos lembra que o setor vem desenvolvendo programas setoriais de divulgação da cachaça em novos mercados com a Apex desde 2012. "É um trabalho ao longo dos anos", acrescenta. E complementa: "a cachaça está sendo cada vez mais reconhecida como um destilado de qualidade no mercado interno e externo".

Pernambuco tem 23 fabricantes de aguardente e cachaça, enquanto o Brasil tem 1.131. A cachaça é um tipo de aguardente feita de cana-de-açúcar com a variação alcoólica que varia de 38% a 48% de álcool. Já as aguardentes podem ser produzidas a partir de outras matérias-primas, como por exemplo, algumas frutas como banana ou caju.

 

 

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