EMPREENDEDORISMO

Conheça o Instituto Negralinda, projeto que impulsiona mulheres empreendedoras em Pernambuco

Em busca de fortalecer as empreendedoras periféricas do Estado, o Instituto Negralinda promoveu formação de 100 mulheres em 2021

Bruno Vinicius
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Bruno Vinicius
Publicado em 26/01/2022 às 17:56
DAY SANTOS/JC IMAGEM
Feira de empreendedorismo do Instituto Negra Linda para negócios do Grande Recife e Floresta - FOTO: DAY SANTOS/JC IMAGEM
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O Brasil é o país com mais mulheres empreendedoras no mundo. Segundo o Relatório Especial do Empreendedorismo Feminino no Brasil, elas representam 48,8% do mercado. Apesar disso, a falta de acesso a créditos, precificação correta e formação impossibilitam, muitas vezes, o crescimento desses negócios. Em busca de fortalecer as empreendedoras periféricas do Estado, o Instituto Negralinda promoveu nesta quarta-feira (26) uma feira com as mulheres participantes do projeto Empreendedoras Colaborativos, no Cais do Sertão, no Bairro do Recife.

O projeto formou 100 mulheres, de diferentes comunidades do Grande Recife e de Floresta, no Sertão de Pernambuco, em diferentes áreas do conhecimento. Durante a formação, as empreendedoras aprenderam a desenvolver seus negócios - que vão desde a gastronomia ao artesanato -, com a formalização proposta pelo instituto, através de parcerias.

Muitas dessas empreendedoras começam seus negócios ainda cedo, pela situação de vulnerabilidade econômica, ou até mesmo pela falta de oportunidades no mercado de trabalho. A idealizadora do instituto, a chef Negralinda, começou a trabalhar ainda cedo. "Eu comecei na Ilha de Deus. E comecei a trabalhar muito cedo, ainda como criança. Minha primeira experiência com o trabalho foi a pesca, eu venho dessa luta da minha mãe, que pescava, e eu pesquei porque sempre me vi nesse lugar de fazer tudo um pouquinho", diz a chef.

A partir do seu trabalho com a cozinha, Negralinda se viu no papel de ensinar as mulheres da sua localidade, quando criou o Instituto ao lado de Edy Rocha. "Há mulheres que sabem fazer um monte de coisa, mas não tem oportunidade ou talvez não sabem como começar ou têm medo. O instituto vem com essa ideia de abraçar a causa, de qualificar elas pra o mercado formal, também, porque a gente perde muito quando não tem uma empresa e não pode passar uma nota, porque não podemos gente não pode vender pra qualquer tipo de pessoas. Por isso que a gente vê que o instituto pra trazer essa formalidade e empoderar mesmo. É a nossa missão hoje é fazer delas as protagonistas das suas próprias histórias", explica Negralinda.

O coordenador do Empreendedoras Colaborativas, Edy Rocha, afirma a maioria das mulheres atendidas pelo instituto são de periferias da Região Metropolitana do Recife. "A maioria das mulheres aqui vêm de comunidades como Ilha de Deus,, Casa Amarela, Vasco da Gama, tem também de Paulista e Joana Bezerra. Então são mulheres de comunidades, a maioria mulheres negras. E também de Floresta, do Sertão de Pernambuco , que tinha um grupo que queria muito fazer empreendedorismo e o Instituto ofereceu lá trinta vagas", afirma o coordenador.

Perfil das empreendedoras

Edy conta que a maioria das empreendedoras já trabalhava com seus negócios há algum tempo, mas havia uma dificuldade em precificar os produtos, em formalização, além da divulgação dos produtos. "Nós ensinamos também a trabalhar com o empreendedorismo cooperativo, que se elas reunirem e se organizarem podem desenvolver ainda mais os seus negócios. Mas, sempre, incentivamos a trabalharem com algo que elas gostam", aponta o coordenador do projeto.

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Feira de empreendedorismo do Instituto Negra Linda para negócios do Grande Recife e Floresta - DAY SANTOS/JC IMAGEM
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Feira de empreendedorismo do Instituto Negra Linda para negócios do Grande Recife e Floresta - DAY SANTOS/JC IMAGEM
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Feira de empreendedorismo do Instituto Negra Linda para negócios do Grande Recife e Floresta - DAY SANTOS/JC IMAGEM

Há mais de 20 anos, a artesã Vera Lúcia, de 62, trabalha exclusivamente com o artesanato. O período coincide com o nascimento da sua filha, Evely, de 22, a qual precisou se dedicar na criação. Moradora do Cordeiro, na Zona Oeste do Recife, ela frisa que o curso ajudou no desenvolvimento do seu trabalho com o crochê e o fuxico. "Minha maior dificuldade era dar um preço aos meus produtos, que leva em consideração o quanto tempo eu levava para fazer e o preço dos materiais, principalmente. Hoje, o artesanato é meu sustento e pretendo custear o curso da minha filha que faz fisioterapia", disse a artesã.

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