NEGÓCIOS

Por que algumas empresas não conseguem acessar financiamentos para impulsionar seus negócios?

Especialista aponta principais erros de quem está em busca de empréstimos e diz que há muitos recursos disponíveis para quem quer investir

Edilson Vieira
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Edilson Vieira
Publicado em 13/04/2022 às 18:58
JOSÉ PAULO LACERDA/CNI
Procura de empresas por financiamento vêm crescendo - FOTO: JOSÉ PAULO LACERDA/CNI
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Entre os principais bancos de fomento, o Banco do Nordeste do Brasil (BNB) disponibilizou para este ano R$ 3,6 bilhões para empréstimos através do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE). Desses, R$ 1,4 bilhão é voltado para infraestrutura, como obras destinadas à implantação de energia renovável. O restante é destinado a praticamente todos os ramos, de comércio, indústria e serviços nos mais diversos segmentos, incluindo turismo, educação, logística, entre outros.

Em um momento de tentativa de recuperação da atividade econômica, que encolheu por conta da fase mais grave da pandemia e agora patina por conta da inflação elevada, muitos empresários ainda têm dificuldade de acessar linhas de crédito que poderiam fazer toda a diferença na hora de expandir suas empresas.

Para Ana Luiza Ferreira, sócia da GF Capital, empresa do Recife especializada em assessoria para a captação de financiamento, muitos empresários não conseguem acessar os recursos subsidiados junto ao banco por desconhecer os requisitos prévios. “A principal dificuldade para se acessar um financiamento é a garantia real exigida pelo banco que, na maioria das vezes, é uma garantia hipotecária, como um imóvel, um terreno, com normalmente o valor de um para um".

"Se eu apresento um projeto solicitando cinco milhões de reais, eu preciso apresentar, ao menos, cinco milhões de reais em garantias", diz Ana Luiza salientando a dificuldade que as empresas de tecnologia têm nesse campo porque o maior ativo dessas empresas são seus funcionários, o conhecimento deles sobre sua área de atuação. "Já um centro logístico, por exemplo, tem um terreno, as próprias construções que serão financiadas, são ativos que podem ser incorporados nas garantias", explica.

 

SEM IMPROVISOS

A especialista diz que o principal erro de um empresário candidato a um financiamento é querer resolver tudo na base da improvisação, do "jeitinho". "Ele tem que estar com todas as certidões, alvará da prefeitura, projetos aprovados, construções averbadas, certidão ambiental em dia...quando os empresários optam por dar um jeitinho em vez de fazer as coisas formalizadas, a gente não consegue o financiamento", revela a consultora. 

Por isso, é preciso planejamento e uma boa organização para realizar todas as etapas e conseguir um empréstimo para os empreendimentos. Ana Luiza explica os passos necessários para a solicitação de recursos. “Primeiramente, o empresário deve levar os documentos cadastrais, tanto se for pessoa física quanto jurídica. Depois, o banco vai exigir um projeto de análise para observar a viabilidade econômico-financeira. Se o projeto envolver obras civis, o banco vai exigir os projetos aprovados pela prefeitura, junto com uma planilha orçamentária de obras civis com lastro em cotação de obras públicas, feita por um engenheiro orçamentista”, detalha.

Ana Luiza afirma que desde 2014 não se tem um cenário otimista, de grandes investimentos, mas 2021 não foi um ano ruim. Para 2022 ela vê os setores de turismo, geração de energia a partir de fontes renováveis (solar e eólica) e construção civil como as áreas que estão demandando mais investimentos. "A economia precisa de estabilidade, coisa que nosso País não tem, mas as crises vão e vem, muda-se um pouco as característica de quem está pleiteando o investimento, mas não deixam de investir", assegura. 



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