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Dia da Mulher: prazer feminino começa com aceitação do próprio corpo

Mulheres encontram o ápice na descoberta dos seus próprios corpos e vontades

Publicado em 06/03/2020 às 12:05
Notícia

Maria Ribeiro
A autoaceitação e o corpo livre de julgamentos são matéria-prima para transformar a vida de mulheres. - FOTO: Maria Ribeiro
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Na bolsa, perfume, batom, hidratante e bolinhas tailandesas. Na consciência, autoaceitação, sensibilidade em lidar com seus defeitos/qualidades e o prazer de ser quem é. É assim a vida da administradora Cláudia Ramos, 42 anos, que descobriu há seis anos a liberdade de ser dona do seu próprio corpo.

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“Tive o primeiro contato com o meu corpo e com a experiência de descobrir meus desejos e vontades apenas aos 36 anos. Foi após uma separação traumática que comecei a me enxergar com mais cuidado e como mulher. Eu sempre era mãe, esposa, amiga, cunhada. Nunca tinha parado para pensar em mim como uma mulher com desejos”, relata, sobre o momento em que percebeu que precisava cuidar mais de si.

Após o fim de um relacionamento de 22 anos e sete meses de terapia, ela criou coragem para ir a um sexshop e, com a ajuda de alguns produtos eróticos e uma viagem exploratória pelo seu próprio corpo, experimentou o que nunca havia tido: um orgasmo.

A descoberta de Cláudia ainda é uma incógnita para muitas mulheres. Segundo a psicoterapeuta corporal e sexóloga Magali Marino, no Brasil, mais da metade das brasileiras não chega ao orgasmo e muitas fingem para não frustrar o parceiro. “Muitas vezes o sexo é visto como algo feio, sujo e vergonhoso. Esses princípios repressores são passados desde a Idade Média e, durante muito tempo, se perpetuaram na mente das nossas bisavós e nossas avós. Era dito que mulheres ‘de família’ não podiam mostrar que tinham tesão e desejo para não parecerem vulgares. Esse julgamento distorcido leva as mulheres a reprimirem a expressão do seu prazer sexual”, explica a profissional.

A quebra do tabu de que sexo é algo vergonhoso foi uma das motivações para ajudar Cláudia a redescobrir sua sexualidade. “Foi a partir do momento que comecei a aceitar meu corpo, com seus prós e contras, a aceitar meus desejos, por mais loucos que parecessem, a admitir minhas inseguranças que passei a ter uma vida mais leve”, afirma Cláudia.

Prazer ao lado dos negócios

Em busca dessas mesmas sensações para si e para outras mulheres, Maria da Penha Castro atrelou o prazer aos negócios. Há dez anos ela abriu o Pimenta Mágica, sexshop online. Segundo a empresária, ainda há muito preconceito entre as mulheres sobre o sexo e tudo que o envolve. “Minha dica para as minhas clientes é que elas não podem e nem devem sentir constrangimento diante de algo que lhes dá prazer. Elas precisam se amar, se tocar e perceber que assim tudo fica mais fácil”, orienta.

O conselho é compartilhado e enfatizado pela sexóloga. “Para chegar ao orgasmo, a primeira coisa a se fazer é quebrar a repressão sexual. Também é importante o autoconhecimento do seu corpo, não só com a masturbação (autoestimulação), mas com a descoberta de que o corpo tem muitos pontos sensíveis. A vivência do orgasmo acontece quando mudamos internamente os conceitos preestabelecidos sobre nossa sexualidade, quando temos o reconhecimento do direito de viver o prazer e o direito de soltar o corpo”, completa.

Autonomia

A autoestima e o corpo livre de julgamentos são justamente a matéria-prima da fotógrafa, cineasta e ativista Maria Ribeiro. Por meio da vivência fotográfica, ela traz a força, a autonomia e o protagonismo que muitas precisam para expandir o conceito de beleza e, assim, sentirem-se bem consigo mesmas. As fotos trazem mulheres com os mais diversos corpos, de todas as cores, tamanhos, alturas e idades. a.

Mas até onde a nudez é cômoda?

Algumas fotos dos ensaios são publicadas no Instagram (@mariaribeiro_photo) e site da fotógrafa. Por ser um nu artístico, muitas das imagens são denunciadas pelos usuários e censuradas pela rede. “A nudez feminina incomoda quando não está embalada e sexualizada para o consumo pornográfico masculino. Quando há uma mulher protagonista, é um escândalo. E, se esse corpo nu está fora dos padrões, nem se fala. A censura é misógina, machista e problemática, já que a sociedade não sabe lidar com a mulher que tem sua própria narrativa”, opina Maria Ribeiro.

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