linha de frente

O futebol em ataque contra o coronavírus

Uma árbitra enfermeira, um lateral farmacêutico e uma meia policial atuam também contra o vírus

Karoline Albuquerque
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Karoline Albuquerque
Publicado em 23/04/2020 às 21:20
DIVULGAÇÃO/FIFA
Toni Dovale é formado em farmácia e trocou as chuteiras pelo jaleco em meio à pandemia. - FOTO: DIVULGAÇÃO/FIFA
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O futebol parou junto com inúmeras atividades do dia a dia por causa da pandemia do novo coronavírus. Fora de campo, há profissionais dos gramados que estão na linha de frente no combate à covid-19. Entre eles, o lateral-esquerdo Toni Dovale, a meia Estela Fernández e a assistente de arbitragem Iragartze Fernandez, com as histórias contadas no site da Fifa.

 

LATERAL E FARMACÊUTICO

Dovale, jogador espanhol atualmente no tailandês Siam Navy, é também formado em farmácia. Ele se preparava para começar a defender a equipe da Tailândia quando a doença começou a se espalhar pelo planeta. Assim, o lateral tirou as chuteiras e vestiu o jaleco.

"Eu tenho uma formação que me permite ajudar as pessoas nesse momento difícil e esse é o melhor que eu posso fazer", disse o jogador, que está trabalhando na farmácia da própria mãe, em Corunha, no noroeste da Espanha. Por estar na Ásia, onde a pandemia começou, ele alertou a família logo.

Para manter a forma enquanto aguarda as coisas se normalizarem, ele treina em casa de manhã. Depois, segue para o atendimento. No setor, Toni Dovale notou a falta de equipamentos de proteção pessoal, como máscaras, luvas e álcool em gel. Mas, apesar de tudo, ele prefere manter o otimismo. "A cada dia estamos um dia mais perto de voltar à vida normal", destacou.

ÁRBITRA E ENFERMEIRA

Iragartze Fernandez é auxiliar de arbitragem na primeira divisão do futebol feminino espanhol, a Primera Iberdrola, e na terceira divisão masculina. Mesmo antes da parada por causa da covid-19, ela já se dividia entre o futebol e o hospital. Se trabalhar com futebol preocupou os pais da árbitra, estar na linha de frente os assusta ainda mais.

"Quando eu decidi me tornar árbitra, meu pai temeu por mim, mas ele me apoia e até corrige meus erros. Ele é como um árbitro de vídeo pessoal", ela explicou. "Meus pais estão muito preocupados porque estou na linha de frente", acrescentou a espanhola, que trabalha em Bilbao, com dedicação exclusiva aos pacientes com o novo coronavírus.

Para Iragartze, a preparação para lidar com a pressão desse momento veio das quatro linhas. "Estamos trabalhando com novos protocolos que continuam mudando como trabalhamos. Isso pode causar exaustão psicológica", disse a árbitra, destacando o desafio que é.

Por enquanto, a enfermeira/árbitra sente falta dos dias em que arrumava a mala para auxiliar alguma partida no fim de semana. O chamado agora é outro. "Todo fim de semana você precisa tomar decisões rápidas. É um pouco como isso. Com a covid, você precisa tomar decisões importantes", comparou.

MEIA E POLICIAL

O trabalho da meia Estela Fernandez, do Madrid CFF, não é bem com a saúde. Ela garante que as pessoas cumpram a quarentena como policial. No geral, a jogadora vê as pessoas levando o distanciamento social a sério na capital espanhola.

"O lado bom dessa crise é que estamos mais unidos, percebendo a importância da família e dos parceiros. Por outro lado, percebemos como somos vulneráveis", analisou a policial, que seguiu a carreira visando os passos do pai, a quem tem como modelo.

O herói da meia, porém, foi um dos pacientes a contrair o novo coronavírus. Isso afastou também Estela, que precisa fazer o teste para a doença antes de voltar para as ruas. Enquanto aguarda, ela treina em casa e mantém a ansiedade para voltar também aos gramados.

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