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Técnico da Atalanta tinha coronavírus quando enfrentou Valencia na Champions

Na época, o coronavírus já se propagava pela Europa, especialmente no norte da Itália e em Bérgamo, sede da Atalanta

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Publicado em 31/05/2020 às 13:49
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O técnico da Atalanta revelou que teve covid-19 em março - FOTO: Divulgação/Atalanta

O técnico da Atalanta, Gian Piero Gasperini, revelou neste domingo (31) que teve coronavírus em março, durante a última partida de sua equipe na Liga dos Campeões, no estádio do Valencia, dias antes da pandemia obrigar a suspensão de todas as competições esportivas.

"Na véspera da partida contra o Valencia eu estava doente. Na tarde antes do jogo, eu tinha piorado. Eu não estava com uma cara boa no banco", explicou o técnico italiano ao diário esportivo "La Gazzetta dello Sport".

O duelo em questão, disputado em 10 de março na Espanha, terminou com vitória da Atalanta por 4 a 3 nas oitavas de final da Champions e não contou com presença a presença de torcedores. A vitória deu a classificação para as quartas de final ao modesto clube italiano.

Na época, o coronavírus já se propagava pela Europa, especialmente no norte da Itália e em Bérgamo, sede da Atalanta e uma das cidades mais afetadas pela pandemia no país.

"Foi em 10 de março. Nas duas noites seguintes em Zingonia (centro de treinamento da Atalanta) eu quase não dormi. Não tinha febre, mas me sentia exausto, como se tivesse 40 graus de febre", explicou Gasperini, de 62 anos.

"Uma ambulância passava a cada dois minutos. Tem um hospital do lado. Parecia um país em guerra. Eu pensava: 'se for lá, o que vai acontecer comigo?'", continuou.

'Como pão e água'

"Não posso ir agora, tenho tanta coisa para fazer... Eu dizia isso brincando, para deixar a situação mais leve. Mas eu pensava isso de verdade", admitiu Gasperini.

Como não tinha febre, o técnico não foi hospitalizado e só foi testado há dez dias, o que confirmou que teve COVID-19.

Quatro dias depois da partida na Espanha, o estado de saúde de Gasperini começou a melhorar, mas logo o técnico perdeu o paladar, um dos sintomas característicos da doença.

Uma refeição acompanhada de champagne Dom Pérignon, um presente de um renomado cozinheiro, foi como comer "pão e água", lembrou.

O jogo de ida da Atalanta contra o Valencia, vencida por 4 a 1 pelo clube italiano em 19 de fevereiro, provocou o deslocamento de 40.000 torcedores de Bérgamo até Milão, onde a partida foi disputada. O jogo é visto por vários especialistas como um importante foco de contaminação.

"Cada vez que penso nisto me parece absurdo: o ponto culminante de nossa alegria esportiva coincidiu com a maior ferida de nossa cidade", lamentou o técnico.

Gasperini, porém, não se opõe à volta do Campeonato Italiano, marcada para 20 de junho.

"Algumas pessoas acham que é imoral retomar o campeonato. Eu vi pessoas cantando nas varandas enquanto em Bérgamo a gente enchia caminhões com caixões. Não me parecia imoral, considerei isto como uma reação instintiva, uma forma de se apegar à vida", explicou.

"A Atalanta pode ajudar Bérgamo a renascer", concluiu.

A equipe do norte da Itália é a atual quarta colocada do Campeonato Italiano com 48 pontos, 15 a menos que a líder Juventus.

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