60 ANOS DE MARADONA

Do início meteórico ao status de divindade: os 5 atos revolucionários de Maradona no futebol

Personagem polêmico e controverso, Maradona chega aos 60 anos nesta sexta-feira

Lucas Holanda
Lucas Holanda
Publicado em 30/10/2020 às 8:54
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Estadão Conteúdo
Com cinco gols, sendo dois deles históricos, Maradona foi decisivo na Copa disputada no México e conduziu a Argentina rumo ao bicampeonato mundial - FOTO: Estadão Conteúdo
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Maradona é sinônimo de revolução no futebol. Quem acompanhou não esquece o que o 'Dios' fez na sua carreira. Aos mais novos, a internet permite um resgate para entender como o camisa 10 foi genial. Nesta sexta-feira, o argentino chega aos 60 anos, com muitos acontecimentos positivos e negativos nessas seis décadas vividas por um dos maiores personagens que o mundo já conheceu. Maradona sabe como é viver uma montanha russa, tendo o auge em 1986 com o título da Copa do Mundo, no qual ele era o capitão e principal jogador da equipe; e a decadência como os escândalos fora dos gramados, vide o envolvimento com drogas. Veja um resumo da carreira de Maradona no vídeo abaixo, produzido pelo canal de streaming Dazn.

Focando apenas dentro de campo, Maradona fez coisas que poucos conseguiram. Da ascensão meteórica, sendo protagonista do futebol argentino desde cedo. Depois, conquistas importantes sendo o principal jogador e tendo uma relação de envolvimento muito grande com os seus clubes. Por fim, o último ato. A soma dos feitos transformou o camisa 10, bastante polêmico e cheio de controvérsias, numa divindade, que se estende da Argentina à cidade de Napóles, na Itália.

1º ato: Ascensão meteórica 

Com apenas nove anos de idade, o garoto criado no subúrbio de Buenos Aires já encantava. Tanto que foi indicado ao treinador de base do Argentinos Juniors, Francis Cornejo, que conheceu Maradona e ficou fascinado com tanto talento e pouca idade, e a partir daí convenceu os pais da criança de que ele deveria estar na escolinha da equipe argentina, que era famosa por revelar talentos. E foi o que aconteceu. Os anos anos foram passando, Maradona ia se desenvolvendo e, aos 15 anos, já disputava partidas preliminares, levando multidões para os estádios.

Aos 17 anos, já foi convocado para a Seleção Argentina e seguia encantando no Argentinos Juniors. Seu desempenho o colocava como um grande candidato para disputar a Copa do Mundo de 1978, mas ele foi erroneamente cortado, como admitiu o treinador César Luis Menotti admitiu anos depois. A Argentina até foi campeã, mas não tinha Maradona. Nesse ano do Mundial, inclusive, o jogador foi o artilheiro do Campeonato Argentino, feito que repetiu em 1979 - nesse ano também se tornou artilheiro do Campeonato Metropolitano, que reunia os grandes de Buenos Aires e era bem valioso na época.

Em 1979, inclusive, também foi eleito o melhor jogador do futebol sul-americano, feito que Maradona conseguiu repetir no ano seguinte, quando novamente foi artilheiro tanto do Campeonato Argentino como também do Campeonato Metropolitano. Em 1980, aliás, o camisa 10 foi peça fundamental para o vice-campeonato nacional do Argentinos Juniors. Com esse desempenho, Maradona chamou atenção do Boca Juniors, clube que ele é torcedor declarado.

2º ato: Idolatria no clube mais popular do país

Maradona chegou no Boca Juniors em 1981 como a principal contratação do futebol argentino. E não decepcionou. Fez valer toda a idolatria que estava ao seu redor. Sendo o protagonista que se esperava, tirou o clube de uma fila de cinco anos sem título ao ganhar o Campeonato Metropolitano. Além disso, também teve um grande desempenho contra o rival River Plate, contra quem marcou em todos os jogos disputados. Foi uma passagem boa no Boca Juniors, porem foi curta.

Isso porque o craque revidou uma das faltas que sofreu na partida contra o Vélez Sarsfield, o que fez a AFA (federação argentina) punir o jogador pela agressão. Portanto, esse foi o último duelo disputado por Maradona na equipe argentina em sua primeira passagem no Boca Juniors, já que pouco antes da Copa do Mundo de 1982 ele foi vendido para o Barcelona por sete milhões de dólares, um valor muito grande na época.

A passagem curta, porém, foi suficiente para transformar Maradona numa divindade no clube. Ele até voltou em 1995 e ficou até 1997, porém a irregularidade e novos problemas fora das quatro linhas o impediram de levantar uma taça com o Boca Juniors. Nesta segunda passagem, inclusive, ele divide o protagonismo em campo ao lado do atacante Cannigia. Em um dos jogos marcantes da dupla, uma goleada por 4x1 diante do River Plate, onde o camisa 10 beijou o seu companheiro de equipe, que marcou três gols contra o rival.

Mesmo com certa irregularidade e acumulando problemas extracampo, Maradona segue sendo uma divindade no Boca Juniors, responsável por tirar o clube de uma seca de títulos nos anos 1980 e, claro, também por ter vencido a Copa do Mundo de 1986 com a Argentina.

3º ato: Idolatria na Europa

Maradona saiu do Boca Juniors em 1982 rumo ao Barcelona. No clube espanhol, porém, não conseguiu protagonizar o que se esperava. Entre altos e baixos, saiu do clube em 1984 para o Napoli, tendo conquistado apenas uma Copa do Rei pelos Catalães. No Napoli, foi em busca de recuperação, tanto dentro de campo como também da sua imagem, que saiu bem arranhada após fracassar na Espanha, embora também tenha convivido com lesões.

Na primeira temporada no Napoli, o clube terminou o campeonato nacional em 10º. Na 1985/1986, consegue levar o time a um 3º lugar. Em 1986/1987, já com status de campeão do mundo, consegue o título italiano, deixando para trás a poderosa Juventus. Além desse título, Maradona também levou a equipe a mais um troféu: o da Copa da Itália, já tendo alcançado um status de grande ídolo no clube. Nas duas temporadas seguintes, no entanto, o Napoli até consegue disputar o nacional, com o camisa 10 e Careca de protagonistas, mas a equipe não consegue nenhum dos dois títulos e acaba sendo vice de Milan e Internazionale, respectivamente.

Só que o Napoli consegue um grande feito na temporada 1988/1989. Apesar do vice para a Internazionale, a equipe sagra-se campeã da Copa Uefa diante do Stuttgart, tendo a dupla Maradona e Careca como protagonista. Na temporada seguinte, outro grande feito: o camisa 10 leva o Napoli para o título do Italiano, com dois pontos de vantagem para o Milan. Ali foi o grande último ato de Maradona pelo clube, já que no ano seguinte o seu exame antidoping dá positivo para a presença de cocaína no corpo dele, expondo o vício em drogas.

Mesmo com uma saída turbulenta do Napoli em 1992 e sendo algoz da Itália na Copa do Mundo de 1990, Maradona segue sendo um dos maiores jogadores da história do clube italiano. Para muitos, inclusive, é o maior, com status de divindade na equipe. O Napoli, aliás, só foi campeão italiano quando Maradona esteve lá.

4º ato: La Mano de Dios

Como citado no início do texto, Maradona poderia ter atuado na Copa do Mundo de 1978. Porém, foi cortado pelo treinador. Em 1982, com um time ainda melhor e tendo o camisa 10 no elenco, a Argentina decepcionou. Em 1986, no entanto, vem a consagração. Mesmo já tendo provado do que era capaz, Maradona teve o seu nome questionado para o Mundial do México, sobretudo pela saída turbulenta do Barcelona e por não ter deslanchado no Napoli antes do torneio.

Ele, aliás, foi convocado e também recebeu a faixa da Copa do Mundo, o que fez as críticas aumentarem ainda mais. Na primeira fase, a Argentina passou na liderança do grupo, tendo vencido duas e empatado uma - diante da Itália, jogo em que Maradona marcou o seu primeiro gol naquele mundial. Nas oitavas de final, contra o Uruguai, Maradona não fez gol, mas foi fundamental para a sua equipe derrotar o Uruguai por 1x0. O camisa 10, inclusive, diz que teve uma das melhores atuações da carreira naquele duelo.

O adversário das quartas de final foi a Inglaterra, no primeiro embate entre as seleções após a sangrenta Guerra das Malvinas. Uma partida com muita coisa envolvida e que acabou sendo decidida por Maradona, que marcou dois gols históricos. O primeiro, dividiu com o goleiro e mandou a bola com a mão esquerda para o gol. O árbitro foi ludibriado e validou o tento. O segundo, depois de driblar vários jogadores e o goleiro, no que ficou conhecido como o gol do século. Veja matéria especial desse jogo contra os ingleses no vídeo abaixo, produzido pelo canal de streaming Dazn.

Na semifinal, foi Maradona quem decidiu mais uma vez, marcando dois gols diante da Bélgica. Na final, a consagração: Argentina 3x2 Alemanha, dando ao camisa 10 não apenas o título da Copa do Mundo, mas também o status de divindade no país e um espaço entre os maiores do futebol. Maradona, aliás, por pouco não foi campeão em 1990, mas a Argentina terminou com o vice - justamente para a Alemanha, que venceu com um gol de pênalti polêmico.

5º ato: Status de divindade

Com todos esses feitos dentro de campo, Maradona não teve sua imagem arranhada como ídolo da Argentina nem mesmo na sua carreira fracassada como técnico da seleção. Tudo o que ele representou dentro de campo é exaltado até hoje. Além disso, apesar de ser um personagem bastante controverso fora de campo, também sabe conectar-se com aquilo que representa a essência do futebol: o povo. Poucas pessoas no mundo esportivo conseguem unir tão bem essa relação entre o ídolo (Maradona) e o povo (torcida).

Por conta dessa forte relação, ele muitas vezes é comparado a Pelé. Alguns defendem de que o camisa 10 argentino foi superior ao brasileiro, enquanto outros não toleram tal afirmação. Outra rivalidade em que Maradona está presente é com Lionel Messi, em questionamentos recorrentes sobre quem é o maior jogador da história da Argentina. Para alguns, a regularidade e os inúmeros feitos do craque atual estão acima do ex-jogador, enquanto outros apegados à idolatria e também na conquista da Copa do Mundo preferem Maradona. Eterno camisa 10 do Flamengo, Zico coloca Maradona acima de Messi. Veja no vídeo abaixo, produzido pelo canal de streaming Dazn.

Personagem controverso e com grandes erros fora dos gramados, Maradona chega aos 60 anos com status de divindade para muitos, justamente por ter sido um representante do povo argentino, tanto na Copa do Mundo como também na relação de idolatria. Prova disso, inclusive, é a Igreja Maradoniana, que não tem um local fixo, mas sim seguidores que enxergam Maradona como uma divindade. É um patamar, aliás, que ele deve permanecer por muito tempo. 

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