FIM DA LINHA

História, sucesso e polêmicas: O ponto final da carreira de Anderson Silva

Um dos maiores lutadores de MMA de todos os tempos, o Spider encerra a trajetória vitoriosa neste sábado contra Uriah Hall

LOURENÇO GADÊLHA
LOURENÇO GADÊLHA
Publicado em 31/10/2020 às 10:05
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Brasileiro, que se recupera de lesão, vai enfrentar Nick Diaz, em Las Vegas - FOTO: NE10
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A carreira de um dos maiores lutadores da história do MMA está prestes a chegar ao fim neste sábado. A luta contra Uriah Hall marca a despedida de Anderson Silva dos octógonos. Ao longo de pouco mais de 22 anos de carreira, o Spider encantou o mundo com grandes momentos e lutas históricas. O brasileiro se manteve por tempos no mais alto nível, inclusive com soberania no peso-médio do UFC, onde reinou por sete anos. Mas também enfrentou altos e baixos, lidou com lesões graves e sofreu questionamentos. Agora, ao fim de uma longa caminhada, a lenda se prepara para o seu adeus às artes mistas.

INÍCIO

Natural de São Paulo, Anderson Silva nasceu no dia 14 de abril de 1975 e mudou-se aos quatro anos para Curitiba, onde começou a treinar Taekwondo com cinco anos de idade. O início precoce nas artes marciais fez com que o jovem se tornasse faixa preta aos 18 anos naquela modalidade iniciada ainda criança. Além dela, Anderson também é faixa preta em Muay Thai e jiu-jitsu. Chama atenção, no entanto, que antes de ser lutador, ele se arriscou em outro esporte.

Antes do muay thai, o brasileiro tentou ser jogador de futebol, onde marcou testes no Corinthians, time do coração, mas acabou chegando atrasado e perdeu a oportunidade. Para não passar em branco, acabou sendo convidado para treinar boxe na academia do clube. De volta às lutas, Anderson Silva estreou como profissional do MMA aos 22 anos de idade, onde venceu Raimundo Pinheiro, seu primeiro adversário, no extinto Campeonato Brazilian Freestyle Circuit. Na época, ele era chamado de Aranha, um apelido que recebeu ainda na infância por usar sempre uma fantasia do herói dos quadrinhos Homem Aranha. Anderson, inclusive, nutre um carinho pelo personagem até hoje.

CARREIRA

Depois do início no Brazilian Freestyle Circuit, Anderson passou ainda pelo Mecca, que abriu portas para participar de lutas internacionais. Na sequência, lutou também no Shooto, mas foi em 2001 quando teve a primeira oportunidade de disputar o cinturão dos pesos-médios no evento. Na ocasião, o Spider venceu o japonês Hayato Sakurai por decisão unânime dos juízes e conquistou o primeiro cinturão em um grande evento de MMA. Esta luta, inclusive, foi escolhida por Anderson como a maior de sua carreira. O brasileiro ainda passou também pelo Pride e outros eventos até chegar em 2006 no Ultimate Fighting Championship (UFC).

SUCESSO

Depois de empilhar vitórias consecutivas lutando no Brasil, na Coreia, Inglaterra e no Japão, Anderson Silva finalmente desembarcou nos Estados Unidos para fazer parte do maior evento de MMA do mundo. No UFC, o Spider se tornou uma lenda. Em 14 anos na organização, foram 24 lutas, com 17 vitórias, seis derrotas e uma luta sem resultado. Juntando todas as organizações que participou, Anderson tem 45 lutas no MMA, com 34 vitórias, 10 derrotas e uma luta sem resultado. Além disso, foram quatro vitórias por finalização, 22 por nocaute e oito por decisão dos juízes.

Depois da estreia no UFC em 2006, Anderson Silva reinou por sete anos como campeão dos pesos-médios (até 84 kg), vencendo adversários como Chris Leben, Rich Franklin, Dan Henderson, Forrest Griffin, Demian Maia, Vitor Belfort e o maior rival, Chael Sonnen. O brasileiro acumulou um histórico de 17 vitórias seguidas e 10 defesas de título consecutivas. O Spider conquistou o mundo e dominou a categoria sozinho por anos, o que levou a ser considerado por muitos como o melhor médio, striker e showtime da história. Além disso, é apontado como um dos melhores da história.

POLÊMICAS E DERROTAS

A sequência de títulos de Anderson Silva foi interrompida no dia 6 de julho de 2013, quando perdeu o cinturão dos médios do UFC para o americano Chris Weidman. Numa luta marcada pelo modo emblemático do brasileiro de lutar, que muitas vezes brincava com seus adversários, Anderson acabou atingido por um soco no queixo e desabou. Caia ali, pela primeira vez no UFC, o Spider. Na época, foi duramente criticado pela aquela característica que tanto desestabilizou os adversários: as brincadeiras e provocações no cage. O brasileiro ainda teria a oportunidade de enfrentar Weidman em dezembro daquele mesmo ano, mas em uma fatalidade, acertou a canela do adversário e acabou fraturando a própria perna esquerda, que o afastou dos octógonos por um bom tempo.

A partir das quedas para Weidman, Anderson iniciou uma fase de altos e baixos na carreira, acumulando outras derrotas e afastamento por doping. Depois da lesão, voltou a lutar em janeiro de 2015, contra Nick Diaz, onde venceu por pontos numa luta marcada pelas provocações do rival. O resultado, no entanto, foi anulado, devido a reprovação dos dois atletas no exame antidoping, o que resultou numa luta sem resultado. Anderson Silva foi flagrado após metabólitos de drostanolona e androsterona serem encontrados em seu exame de sangue, realizado pela Comissão Atlética de Nevada (NSAC). Mesmo tentando se justificar, o brasileiro foi punido com uma suspensão de um ano, além de uma multa do pagamento de multas financeiras.

Na volta ao octógono em 2016, Anderson perdeu para Michael Bisping em decisão bastante criticada, devido a uma joelhada do brasileiro no inglês no final do terceiro round, que teria nocauteado o atleta, mas não foi considerada por que o assalto havia terminado e Bisping estava sem o protetor bucal. Anderson reclamou bastante da decisão, já que terminou a luta derrotado. Na sequência, foi derrotado para Daniel Cormier em luta que substituiu Jon Jones de última hora, no UFC 200. O ex-campeão dos médios voltaria a vencer uma luta no UFC 208, em 2017, contra Derek Brunson, apesar da grande maioria da imprensa atestar que americano teria vencido a luta.

Em 2018, Silva caiu mais uma vez no doping, quando testou positivo para Methyltestosterone, um esteróide anabolizante sintético, bem como diurético, em uma coleta realizada em 26 de outubro de 2017. Depois da punição, ainda perderia mais duas vezes. A primeira para o nigeriano Israel Adesanya em fevereiro de 2019 e depois para o americano Jared Cannonier em maio do mesmo ano. Ou seja, depois da primeira derrota para Weidman, Anderson entrou numa sequência de mais derrotas do que vitórias. Com o passar dos anos, o tempo foi implacável e não poupou nem uma lenda como o Spider, que agora tem a chance de encerrar a vitoriosa carreira com uma vitória diante de Uriah Hall.

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