COLUNA DO ESTADÃO

Depoimentos dos irmãos Miranda mudam rota da CPI da Covid

O servidor Luis Ricardo era a voz "técnica" da dupla e não avançou o sinal. O deputado Luís Miranda fez a voz "política". Chutou a canela de Jair Bolsonaro, Onyx Lorenzoni e companhia quando teve a chance. A combinação desconcertou a tropa governista na comissão

Alberto Bombig
Alberto Bombig
Publicado em 26/06/2021 às 7:04
JEFFERSON RUDY/AGÊNCIA SENADO
REGISTRO Conversas entre os irmãos Miranda sobre suposta pressão foram entregues à Polícia Federal - FOTO: JEFFERSON RUDY/AGÊNCIA SENADO
Leitura:

Os depoimentos dos irmãos Miranda mudaram os rumos da CPI da Covid. As declarações sóbrias e técnicas do servidor Luis Ricardo, além dos indícios apresentados por ele, deixaram claro, segundo senadores do G7 (independentes e oposição), que houve pressão pela compra da Covaxin. A agenda das próximas convocações vai girar em torno dos nomes que foram colocados na roda por Ricardo como sendo os dos supostos autores de uma achaque: Marcelo Bento Pires e o diretor de logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias.

Good cop

Ricardo era a voz "técnica" da dupla e não avançou o sinal. Foi claro e direto em dizer que não tinha conhecimento do que ocorria fora de sua área, a de importações.

Bad cop

O deputado Luís Miranda fez a voz "política". Chutou a canela de Jair Bolsonaro, Onyx Lorenzoni e companhia quando teve a chance. A combinação desconcertou a tropa governista na comissão.

Danger

O novo (e mais perigoso para o Planalto) eixo de investigação na CPI surge no momento em que a alternativa de tumultuar dos governistas fica enfraquecida, uma vez que o STF decidiu que governadores não podem ser obrigados a depor. Lado negativo, para o G7: Bolsonaro também não poderá ser chamado.

Quem é

Roberto Ferreira Dias, diretor de logística da Saúde, teve indicação à Anvisa no ano passado cancelada por Bolsonaro, após notícias de contratos suspeitos sob sua gestão.

Padrinhos

Dias fora indicado pelo líder do governo na Câmara Ricardo Barros (PP-PR), mas também contou com forte apoio de Davi Alcolumbre (DEM-AP).

Onde está Wally?

Ricardo "desapareceu" por minutos do radar da CPI. O pânico foi geral. Mas ele estava no aeroporto de Brasília ..

Fumaça?

Enquanto Paulo Guedes entregava com pompa a reforma tributária na Câmara, ainda não havia nem sinal do texto nos registros oficiais da Casa. O açodamento após tanto tempo de procrastinação tem justificativa: dividir as atenções com os depoimentos da CPI da Covid.

Lápis

Com o aumento da faixa de isenção no projeto de lei do governo, de R$ 1,9 mil para R$ 2,5 mil, a correção de um ano para o outro foi a maior nominal desde 1994 (31,3%). A segunda maior foi em 2002, quando a faixa passou de R$ 900 para R$ 1.000.

Diálogos

Otavio Leite, do PSDB-RJ, conversa hoje, 26, com o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, sobre as prévias do partido. João Doria, Arthur Virgílio e Tasso Jereissati devem participar de futuros encontros no Rio.

A luta...

Para lembrar a data dos 53 anos da famosa "passeata dos 100 mil" e dizer que continua na luta pela democracia, o grupo Geração68 realiza atos públicos neste sábado, 26, em várias cidades do País.

..continua

Em São Paulo, o ato político e cultural está marcado para ocorrer às 17h, na simbólica rua Maria Antônia, em frente ao prédio da USP. Claro, haverá protestos contra Jair Bolsonaro.

COM MARIANNA HOLANDA. COLABORARAM PEDRO VENCESLAU E PATRICK FREITAS.

PRONTO, FALEI!

Rodrigo Maia

Deputado federal (Sem partido-RJ)

"Não satisfeito em matar os brasileiros, o governo Bolsonaro, agora através de sua reforma tributária, quer matar as médias e grandes empresas do País."

Comentários

Últimas notícias