Todos querem retorno em curto prazo

Publicado em 29/11/2020 às 2:00
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Trabalhando numa linha de educação financeira, o consultor Leandro Trajano tem boas histórias de investidores aflitos que, vendo a rentabilidade minguar, lhe procuram querendo uma solução mágica.

"Nunca esqueço de uma pessoa que me perguntou certo dia: Olha, eu queria investimento para um bom retorno em curto prazo. E aí eu devolvi com duas perguntas: O que significa para você um bom retorno e o que é curto prazo? E a pessoa respondeu, cem por cento no mês. Ou seja, essa pessoa, assim como tantos outros, acreditam em promessas de cinco, três por cento, dez por cento ao mês."

Mas ele diz ser compreensível essa aflição. "Se a gente olhar no retrovisor, veremos que a taxa Selic proporcionava um bom retorno a investimentos de renda fixa. Mas, essa não é a realidade de hoje". O problema é que muita gente entra na renda variável e termina permanecendo pouco tempo em algo que tem mais volatilidade, e um pouco mais de risco. E nos primeiros sinais maiores de risco, essas pessoas são as primeiras que correm.

Com a queda nas taxas de remuneração, temos uma geração de pessoas que começou a investir na renda variável, que vem tendo surpresas gratas e que mesmo quando viram que a renda variável varia, sim, precisam saber que não é só pra cima. É também para baixo.

De fato, mal saíram da poupança, entraram em produtos diferentes de renda fixa, já querem partir para ações. O consultor diz que é preciso ter calma. "Qualquer planejador de investimentos sério vem com uma carteira de renda variável para você, mas vai ter um percentual na sua carteira composto por renda fixa. Importe dizer que ela não morreu. Senão ninguém iria sugerir.

Trajando acredita que, seja homem ou mulher, a decisão de investir é individual ou do casal e é uma questão muito mais comportamental. É uma questão muito mais estratégica do que de escolha de produto, "as pessoas sempre procuram perguntando onde colocar o dinheiro tal, não é? Qual é o melhor investimento..."

Leandro Trajano destaca esse papel de influenciadora da mulher porque as pessoas ficam iludidas pelo acaso. De achar que sim é muito fácil investir, é muito fácil escolher os ativos e muitos não escolhem, seguem aleatoriamente opiniões as mais diversas.

Isso é mais importante para pequeno investidor que tem que entender que é uma construção, uma construção baseada em conhecimento, baseada em experiências, em experimentos, mas não experimentos aleatórios, mas em vivência de mercado financeiro.

Ele diz que as pessoas querem a luz no fim do túnel, mas ninguém quer atravessá-lo. "Todo mundo quer a sombra, mas ninguém quer plantar árvore. Todo mundo quer gelo, mas ninguém quer encher a caçamba.

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