Todos querem investimento retorno em curto prazo

Publicado em 29/11/2020 às 2:00
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No País que, em plena pandemia e com as as atividades paradas por três meses, conseguiu a marca de R$ 1 trilhão na Caderneta de Poupança, mesmo com remuneração negativa, arranjar um lugar para aplicar as economias está tirando o sono de muito investidor acostumado com tranquilidade da renda fixa.

Com a taxa Selic fixada em 2%, até mesmo as aplicações no Tesouro Direto deixaram de garantir uma remuneração acima da inflação, levando a compra desse papel ter captação negativa nos últimos três meses.

Curiosamente, a caderneta vem tendo captação positiva desde quando a pandemia da covid-19 se instalou, chegando a R$ 128 bilhões, embora se saiba que parte desse dinheiro veio do Auxílio Emergencial (R$ 250 bilhões) com milhares de pessoas guardando o dinheiro.

Mas a decisão de sair da zona de conforto da renda fixa ainda é uma aventura para muitos investidores, a despeito de estar rendendo no ano apenas 1,57%, quando os fundos multimercados livre chegaram a 4,11%, e os com investimento no exterior atingindo a média de 10,30%, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Os fundos de Renda Fixa ainda reinam absolutos com 37,6% de toda a indústria de fundos, mas enquanto os fundos de ações estão com captação líquida de 13,26%, no ano, os de renda fixa tiveram 0,98% de perdas.

Segundo o consultor Tobias Silva, de fato, com a taxa Selic em 2% ao ano, o investidor tradicional é quase que obrigado a tomar risco. Ele lembra que os juros básicos, em 1997, eram de 45% ao ano, e, em 2015, pouco mais de 14%. O Brasil só segue a tendência natural das economias que controlam sua inflação.

Assim, o investidor pessoa física começa a se perguntar o que fazer com a sua reserva. E onde aplicar o dinheiro? Mas a primeira coisa que o investidor diz Silva, é ter que admitir é que não existe risco "zero" na economia.

Então, admitindo que tudo tem um risco, o investidor deve buscar aqueles investimentos que se enquadram em seu perfil. Um jovem de 25 anos, por exemplo, tem muito mais propensão e é até aconselhável que tome mais riscos que um senhor de 75 anos. Mas não quer dizer que os idosos não possam tomar riscos, podem desde que bem mensurados. Dai porque é importante um assessor ou consultor de investimentos registrado na CVM e na Anbima.

"Informe-se". Essa é a prescrição de todos consultores sérios, para não cair na tentação das ofertas de aproveitadores. É um cuidado básico, mas que ainda faz milhares deles acreditarem nas promessas de remuneração de 10% e até 100% ao ano. Mas o investidor brasileiro, mesmo com todo esses alertas ainda chega com a mesma pergunta para os especialista em mercados financeiros: Que faço com meu dinheiro?

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