OCEANO ÍNDICO

Corrida contra o tempo para evitar novo vazamento de óleo nas Ilhas Maurício

O navio "MV Wakashio", que transportava 3.800 toneladas de combustível e 200 toneladas de diesel, atingiu um recife em Pointe d'Esny em 25 de julho

AFP
AFP
Publicado em 10/08/2020 às 15:34
Notícia

AFP
Mais de 1.000 das 4.000 toneladas transportadas pelo Wakashio já foram despejadas no mar - FOTO: AFP
Leitura:

As equipes de intervenção nas Ilhas Maurício estão em uma corrida contra o tempo nesta segunda-feira (10) para evitar outro vazamento de combustível do navio que encalhou com mais de 4.000 toneladas de combustível a bordo, ameaçando suas águas paradisíacas se o casco quebrar.

O navio "MV Wakashio", que transportava 3.800 toneladas de combustível e 200 toneladas de diesel, atingiu um recife em Pointe d'Esny em 25 de julho. Uma rachadura no casco causou um vazamento de combustível.

Localizada na costa sudeste da ilha, Pointe d'Esny é uma joia ecológica conhecida por seus locais preservados com classificação internacional, águas turquesas e pântanos protegidos.

Mais de 1.000 das 4.000 toneladas transportadas pelo Wakashio já foram despejadas no mar, disse Akihiko Ono, vice-presidente da Mitsui OSK Lines, que operava o navio, pertencente a uma empresa japonesa.

Voluntários estão fazendo cilindros com folhas de cana-de-açúcar, garrafas plásticas e cabelos, doados voluntariamente, segundo o G1. Segundo a fundadora da agência de ecoturismo Mauritius Conscious, Romina Tello, "o cabelo absorve óleo, mas não água".

Os helicópteros implantados transportavam nesta segunda-feira parte do combustível bombeado para a costa, mas os esforços para continuar extraindo-o foram interrompidos por um mar agitado e ventos fortes.

As condições climáticas, que também aproximam o óleo derramado pelo navio até a ilha, não devem melhorar até o início da noite de hoje.

"Não resta mais muito tempo" 

Cerca de 2.500 toneladas de combustível ainda estavam a bordo, afirmou o primeiro-ministro das Ilhas Maurício, Pravind Jugnauth, alertando que o risco de o casco do navio se romper é real.

"Está em uma etapa avançada do processo de fratura (...) não resta mais muito tempo", observou um especialista que acompanha os trabalhos de auxílio, sob condição de anonimato.

Os mergulhadores detectaram novas fissuras no casco do navio. Na costa, onde está sendo realizada uma limpeza intensa, se escutou um forte estalo.

Imagens aéreas mostraram a gravidade da contaminação pelo vazamento de combustível, com grandes áreas de água contaminadas pelo petróleo em meio a um mar cristalino. Esta ameaça pode representar uma catástrofe ambiental se o resto do combustível a bordo se espalhar.

Milhares de voluntários tentam conter a contaminação das águas rodeando o combustível com represas de cânhamo e tecidos improvisados, ou utilizando baldes para coletá-lo.

O Japão enviou uma equipe de ajuda de seis membros e a França um navio e um avião com especialistas procedentes da ilha vizinha Reunião.

Um porta-voz da Mitsui OSK Lines, a empresa japonesa que usava a embarcação, disse à AFP que enviará na terça-feira uma equipe de especialistas, depois que tenham feito o teste da COVID-19 e o resultado seja negativo.

A empresa japonesa Nagashiki Shipping, proprietária do navio, publicou hoje um comunicado no qual pede "desculpas ao povo das Ilhas Maurício" e se compromete a fazer "o máximo possível para proteger o meio ambiente e minimizar os efeitos da contaminação".

Nas Ilhas Maurício há um dos recifes de coral mais bonitos do mundo e a região representa um santuário para uma fauna rara.

O jornalismo profissional precisa do seu suporte.

Assine o JC e tenha acesso a conteúdos exclusivos, prestação de serviço, fiscalização efetiva do poder público e muito mais.

Apoie o JC

Comentários

Últimas notícias