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Subsídios e entregas em domicílio, a sobrevivência dos trabalhadores precários na Argentina

Um relatório do BID prevê que a crise gerada pela COVID-19 pode causar uma perda de até 17 milhões de empregos formais na América Latina.

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Publicado em 19/08/2020 às 11:53
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As plataformas de entrega à domicílio vivem um boom em meio à pandemia, com um aumento da demanda do serviço e maior quantidade de entregadores - FOTO: AFP
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Funcionários de restaurantes, passeadores de cães, recicladores e pedreiros ficaram sem trabalho da noite para o dia com a chegada da pandemia do novo coronavírus a Argentina, sem nenhum outro refúgio a não ser a entrega à domícilio ou os subsídios do governo para sobreviver.

"A principal saída para os trabalhadores precários foram os auxílios do Estado, mas a situação piorou para todos. Muitos empregados formais tiveram seus salários reduzidos e outros viram suas empresas fecharem", explica Ezequiel Barbenza, professor na Universidade do Salvador.

>> Taxa de desemprego no Brasil sobe a 13,3% no trimestre até junho, diz IBGE

É o caso de Gustavo, venezuelano de 23 anos que mora em Buenos Aires e trabalhava em um centro gastronômico e hoje faz entregas com o aplicativo Rappi. "Conseguir outro trabalho é muito difícil. O 'delivery' é o mais simples para um migrante", afirma. 

As plataformas de entrega à domicílio vivem um boom em meio à pandemia, com um aumento da demanda do serviço e maior quantidade de entregadores, a ponto de fazerem fila para receber a autorização que lhes permite começar a trabalhar.

"É o tipo de trabalho que foi declarado como atividade essencial na quarentena" diante de muitos outros empregos que foram interrompidos, explica Javier Madariaga, economista pesquisador do Centro de Implementação de Políticas Públicas para a Igualdade e o Crescimento e assessor do Banco Interamericano de Desenvolvimento.

Um estudo realizado por Madariaga em 2018 constatou que em Buenos Aires 80% dos entregadores de aplicativos eram venezuelanos recém-chegados. Agora, estima-se que metade são migrantes e a outra metade argentinos, considerados empreendedores independentes sem Previdência Social.

 Julia, empregada doméstica de 52 anos e moradora da província de Merlo, parou de trabalhar no início do confinamento. Seu marido e seu filho pedreiro também não conseguiram trabalhar nesses cinco meses. Ela continua recebendo o salário da casa em que trabalhava duas vezes por semana, mas não o do escritório que limpava como funcionária informal e que fechou as portas.

"Para trabalhar é preciso ir até a capital, mas não temos como pegar o transporte público", conta Julia, em referência às restrições sanitárias. "Aqui na província não tem trabalho", lamenta.

Ela recebeu a Renda Familiar de Emergência, um subsídio mensal de 10.000 pesos (cerca de 100 dólares) estabelecido pelo governo do presidente Alberto Fernández para os trabalhadores informais.

No primeiro trimestre deste ano, o desemprego foi de 10,4%, mas estima-se que dezenas de milhares de postos de trabalho foram perdidos desde então.

Um relatório do BID prevê que a crise gerada pela COVID-19 pode causar uma perda de até 17 milhões de empregos formais na América Latina.

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