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Francês com doença incurável aceita se alimentar após tentar se deixar morrer

O paciente queria desistir da própria vida

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Publicado em 09/09/2020 às 14:54
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Na semana de 27 de junho a 3 de julho, apenas um estado teve acréscimo de casos: Pernambuco (16%) - FOTO: PEDRO PARDO/AFP
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O francês Alain Cocq, que sofre de uma doença incurável e tentou se deixar morrer, aceitou voltar a se alimentar - disse à AFP nesta quarta-feira (9).

"Já não conseguia mais levar essa luta", disse Cocq, de 57 anos, no Hospital Universitário de Dijon, onde foi admitido na segunda-feira após quatro dias de interrupção de seu tratamento e alimentação.

Cocq disse à AFP que poderia voltar para casa "em 7 a 10 dias".

"O tempo para me recuperar um pouco e montar uma equipe de hospitalização em casa", afirmou.

Este ativista do direito de morrer com dignidade, que tem uma doença extremamente rara que obstrui suas artérias e lhe causa um sofrimento intenso, havia suspendido todo tratamento e alimentação na noite de sexta-feira.

Acamado e sofrendo o martírio da doença que o consome há anos, ele recorreu ao presidente Emmanuel Macron, pedindo-lhe que o ajudasse a morrer e que autorizasse um suicídio assistido por um médico.

Na noite de segunda-feira, Cocq sofreu muito e foi internado "depois de uma intervenção dos serviços de auxílio", explicou Sophie Medjeberg, advogada e vice-presidente da associação Handi-Mais-Pas-Que, nomeada para ajudá-lo no final de sua vida.

Alain "está melhor; a luta continua, mas de outra forma", disse à AFP Medjeberg, nesta quarta-feira.

Ao contrário de outros países europeus como Bélgica, ou Suíça, a eutanásia ativa, ou o suicídio ativo, são proibidos na França.

A lei francesa Claeys-Leónetti de 2016 autoriza somente a sedação profunda para pessoas que se encontram a poucas horas de uma morte certa.

Embora o próprio Cocq se considere "na fase final há 34 anos", não pode provar que sua morte é iminente, mas espera que seu caso provoque um "eletrochoque" que permita "autorizar o suicídio assistido".

O caso de Alain Cocq reacendeu a polêmica sobre a morte digna na França, como ocorreu com Vincent Lambert, um paciente em estado vegetativo que morreu em julho de 2019, após receber uma sedação profunda.

Desejada por sua esposa e por um sobrinho, a sedação era rejeitada pelos pais de Lambert.

 

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