África

Homem morre após atear fogo a si mesmo na Tunísia

O gesto que lembrou o do trabalhador tunisino que desencadeou a revolução de 2011 no país

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Publicado em 12/09/2021 às 8:15
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BERTRAND GUAY / AFP
Homem tocou fogo em si mesmo na Tunísia - FOTO: BERTRAND GUAY / AFP
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Um homem faleceu em função das feridas sofridas ao atear fogo em si mesmo no centro da cidade de Túnis, capital tunisiana, neste sábado (11), um gesto que lembra o do trabalhador tunisino que desencadeou a revolução de 2011.

O homem de 35 anos "ateou fogo em si mesmo na avenida Habib Bourguiba, teve queimaduras de terceiro grau e foi levado às pressas para o hospital devido a queimaduras graves", explicou a Proteção Civil à AFP.

Horas depois, a imprensa local anunciaram a morte do homem, cujas motivações ainda são desconhecidas.

Segundo uma testemunha interrogada pela AFP, que pediu anonimato, o homem chegou à avenida, que passa pelo centro de Túnis, acompanhado por outro homem mais jovem. Ambos tentaram chamar a atenção de alguns jornalistas que ali estavam e o mais velho tirou um frasco com líquido inflamável, borrifou-se e se incendiou com um isqueiro, segundo a testemunha.

Alguns pedestres tentaram pegar o isqueiro, mas o homem começou a correr pelos terraços dos restaurantes, onde havia muitos clientes. Ele recebe ajuda de várias pessoas que tentaram apagar o fogo, antes da chegada dos bombeiros.

A polícia instalou barreiras de contenção no local e um jornalista da AFP pôde ver os tênis carbonizados do homem.

Casos anteriores

O gesto lembrou o de Mohamed Bouazizi, o vendedor ambulante de 26 anos que ateou fogo em si mesmo em 17 de dezembro de 2010, desencadeando a revolução tunisiana que encerrou o mandato do presidente Zine el Abidine Ben Ali e deu início aos distúrbios da Primavera Árabe em outros países da região.

No sábado passado, Neji Hefiane, um jovem de 26 anos que foi ferido durante a revolução de 2011, morreu depois de atear fogo em si mesmo dois dias antes, sob os olhos de seus parentes, em um subúrbio de Túnis, explicou sua família à AFP na segunda-feira. Sem emprego, ele supostamente teria direito a uma indenização por ter sido "ferido" durante a revolução.

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