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Saiba quem é Miloš Zeman e o que aconteceu para ele deixar a República Tcheca num impasse

Zeman, doente há algum tempo, recebeu primeiro-ministro Babis na manhã do domingo (10)

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Publicado em 11/10/2021 às 20:24
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Presidente tcheco Milos Zeman - FOTO: Foto: AFP
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O presidente tcheco Milos Zeman teve que ser hospitalizado nesse domingo (10), pouco depois de se encontrar com o primeiro-ministro, o bilionário populista Andrej Babis, que espera permanecer no poder apesar de sua derrota nas eleições legislativas.

O país se questiona, desde o anúncio dos resultados eleitorais, quem entre Babis, com os 27,14% de seu partido, ou Petr Fiala, cuja coalizão Juntos obteve 27,78% dos votos, será escolhido pelo presidente para liderar o próximo governo.

Zeman, doente há algum tempo, recebeu Babis na manhã do domingo (10). Mas logo depois, foi anunciado que ele teria que ser hospitalizado com urgência, paralisando o processo de nomeação do novo governo.

A aliança de centro-direita Juntos obteve 108 assentos no Parlamento (de um total de 200).

A aliança Juntos, formada pelos Cívicos Democratas (direita), TOP09 (centro-direita) e Cristãos Democratas (centro-direita), poderá se aliar com outras forças, como o Partido Pirata e o movimento Prefeitos e Independentes (STAN), para somar os assentos necessários e garantir maioria no Parlamento.

Num primeiro momento, os resultados parciais publicados pelo site oficial eleitoral colocaram o primeiro-ministro na liderança. Mas a vantagem foi diminuindo e o resultado mudou com a apuração dos votos das grandes cidades.

O líder do Juntos, Petr Fiala, posicionou-se na noite de sábado para formar o próximo governo, declarando ter um mandato "forte".

"O presidente terá que levar isso em consideração", insistiu.

Constitucionalmente, cabe ao presidente designar o novo primeiro-ministro. No entanto, antes da votação, Milan Zeman já havia insinuado que escolheria Babis.

Doente, este presidente pró-Rússia forçado a votar de casa encontrou-se com Babis para conversas informais pela manhã, antes de uma reunião mais oficial marcada para quarta-feira, de acordo com sua comitiva.

Pandora Papers

Babis, de 67 anos, se viu enfraquecido pelo litígio com a União Europeia, o suposto envolvimento no escândalo dos "Pandora Papers" e a situação sanitária da República Tcheca no início do ano, quando o país liderava a estatística mundial de mortes por infecções de coronavírus por habitante.

O empresário dos setores agroalimentar, químico e de mídia é acusado de suposta fraude em subsídios da União Europeia, que o denuncia por seu conflito de interesses como empresário e político.

No fim de semana passado, a investigação internacional "Pandora Papers" revelou que, em 2009, ele usou dinheiro de empresas em paraísos fiscais para adquirir algumas propriedades, incluindo um castelo no sul da França.

Quinta fortuna tcheca de acordo com a Forbes, Babis chefia um governo minoritário com os social-democratas, tacitamente apoiado pelo Partido Comunista que liderou a ex-Tchecoslováquia entre 1948 e 1989 e do qual o primeiro-ministro fazia parte.

Mas os comunistas tiveram o pior desempenho de sua história nas legislativas e não superaram a marca de 5% de votos necessários para entrar no Parlamento, do qual não farão parte pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial.

Entre os demais partidos que competiam nas eleições, destaque para o movimento de extrema direita anti-muçulmano Liberdade e Democracia Direta (SPD), liderado pelo empresário nascido em Tóquio Tomio Okamura, que obteve quase 10% dos votos.

A economia da República Tcheca, de 10,7 milhões de habitantes e membro da União Europeia, está se recuperando após a pandemia, mas o recente aumento nas pensões e salários da administração pública disparou o déficit público.

Em sua campanha, o ANO atacou a imigração em condição clandestina e se comprometeu a proteger os veículos movidos a combustíveis fósseis, ou a matriz energética tradicional tcheca, que é baseada na energia nuclear.

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