POLÍTICA

Olaf Scholz sucede Merkel e promete novo começo para Alemanha. Saiba quais os desafios o aguardam

A líder conservadora recebeu seu sucessor na chancelaria e pediu a ele que "trabalhe pelo bem da Alemanha"

AFP Emannuel Bento
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Emannuel Bento
Publicado em 08/12/2021 às 14:07
JOHN MACDOUGALL/AFP
Angela Merkel e Olaf Scholz em cerimônia de posse do novo chanceler - FOTO: JOHN MACDOUGALL/AFP
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O chaneler Olaf Scholz prometeu, nesta quarta-feira (8), um "novo começo" para a Aleamha, à frente de um governo de coalizão de centro-esquerda, o que encerra o período de 16 anos de poder da conservadora Angela Merkel. A líder conservadora, que por apenas nove dias não bateu o recorde de longevidade no poder de Helmut Kohl, recebeu seu sucessor na chancelaria e pediu a ele que "trabalhe pelo bem da Alemanha".

Scholz a homenageou por "tudo o que fez" pelo país e prometeu "um novo começo". O social-democrata, de 63 anos, recebeu 395 votos a favor dos 736 deputados do Bundestag, que foram eleitos na votação de 26 de setembro.Scholf prestou juramento, ao lado dos ministros, diante dos deputados e leu o artigo 56 da Lei Fundamental, no qual promete "dedicar suas forças ao bem do povo alemão".

Sua eleição como o nono chanceler da Alemanha após a guerra não era objeto de dúvidas, pois o Partido Social-Democrata (SPD) venceu as legislativas com 206 deputados eleitos, contra 197 do partido conservador União Democrata Cristã de Merkel.Scholz é apoiado pelo Partido Verde (118 cadeiras) e o Partido Democrático Liberal (FDP, 92), que integram a nova coalizão de governo.

Com uma reputação de tranquilidade, o novo chanceler estava sorridente ao receber as felicitações e posar para fotografias.Seu pai, de 86 anos, afirmou que seu fulho, uma espécie de "senhor sabe-tudo" quando criança, previu aos 12 anos que seria chanceler.Feminista convicto, Scholz vai liderar um governo integrado pela primeira vez na Alemanha pelo mesmo número de homens e mulheres.

Desafios que aguardam o novo governo alemão

Sem período de carência, o primeiro governo alemão pós-Merkel deve enfrentar imediatamente vários desafios, da pandemia ao clima, passando pelas tensões entre as potências ocidentais com Moscou e Pequim.Veja, a seguir, os principais desafios da equipe do chanceler social-democrata Olaf Scholz, em aliança com os Verdes e os liberais do FDP.

Mesmo antes de assumir as funções, o novo governo teve que começar a administrar a nova onda de casos de covid-19 e repensar algumas das promessas de campanha. Sob pressão, aprovou uma bateria de restrições e aceitou a ideia de uma vacinação obrigatória que poderia ser votada nesta semana e aplicada nos primeiros meses de 2022. A indignação cresce em parte da opinião pública.

Um dos principais desafios do mandato será manter a coesão de sua coalizão. O acordo é pouco claro sobre o financiamento das medidas prometidas, especialmente em investimentos em infraestrutura e na luta contra a mudança climática, com a previsão de abandonar o carvão em 2030 e desenvolver energias renováveis. A poderosa indústria do automóvel deve acelerar sua transformação. Os partidos querem ter 15 milhões de carros elétricos nas estradas em 2030, contra pouco mais de 500.000 atualmente.

Ao mesmo tempo, os liberais alcançaram um compromisso para reduzir ao mínimo os déficits públicos e evitar um aumento dos impostos. Rapidamente podem surgir tensões sobre essa questão. Se Angela Merkel não defendeu a integração europeia, o novo governo quer se envolver nesta questão. O acordo de coalizão aposta em um "Estado federal europeu" que funciona de forma descentralizada.

Outra mudança notável é o apoio à visão francesa de uma defesa mais assertiva dos interesses europeus no cenário internacional. Uma "Europa soberana é a chave" e "é um dever" para o novo governo, disse Scholz, cuja coalizão também defende tomar decisões por maioria e não por unanimidade em questões diplomáticas dentro da comunidade. Podem ser focos de tensão recorrentes dentro da coalizão. A nova ministra das Relações Exteriores, a ambientalista Annalena Baerbock, promete mais firmeza contra governos autoritários do que durante na época Merkel, na qual prevaleciam os interesses econômicos e comerciais.

Os liberais apresentam uma abordagem semelhante, mas os social-democratas de Scholz se mostraram tradicionalmente mais conciliadores com Moscou e Pequim.O governo prevê várias medidas emblemáticas durante a legislatura: o aumento do salário mínimo de 9,6 para 12 euros (de 10,9 a 13,6 dólares) por hora, a legalização da cannabis para adultos em "lojas autorizadas" e o direito ao voto a partir dos 16 anos.

Na imigração, uma questão que mobilizou pouco a opinião pública durante a campanha, está prevista a instauração de um procedimento de aquisição de permissões de residência para as pessoas até agora chamadas de "toleradas", ou seja, as que não podem ser expulsas por várias razões, mas também não possuem o direito de trabalhar. A futura coalizão também deseja oferecer aos estrangeiros com mais de cinco anos no território a possibilidade de acessar progressivamente uma permissão de residência.

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