TENSÃO

Otan estende a mão à Rússia, mas está 'preparada para o pior' na Ucrânia

A Otan "volta a estender a mão à Rússia" para reduzir as tensões provocadas pela mobilização de tropas russas na fronteira com a Ucrânia, mas "está preparada para o pior", afirmou o secretário-geral da organização transatlântica

AFP
Cadastrado por
AFP
Publicado em 26/01/2022 às 17:55 | Atualizado em 26/01/2022 às 17:56
 secretário-geral da organização transatlântica, Jens Stoltenberg.
Jens Stoltenberg, secretário-geral da Otan - FOTO: secretário-geral da organização transatlântica, Jens Stoltenberg.
Leitura:

A Otan "volta a estender a mão à Rússia" para reduzir as tensões provocadas pela mobilização de tropas russas na fronteira com a Ucrânia, mas "está preparada para o pior", afirmou nesta quarta-feira (26) o secretário-geral da organização transatlântica, Jens Stoltenberg.

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), que apresentou nesta quarta sua resposta às demandas russas sobre segurança regional, busca "um caminho de diálogo" para encontrar uma "solução política" para a crise, assegurou Stoltenberg.

Segundo Soltenberg, a Otan está "pronta para ouvir as preocupações da Rússia na questão da segurança".

Em Moscou, o vice-chanceler Alexander Grushko confirmou que o governo russo recebeu a resposta por escrito da Otan.

"Recebemos a resposta da Otan. Vamos lê-la. Vamos estudá-la. Nossos interlocutores levaram quase um mês e meio para estudar nossos esboços", disse o funcionário russo.

Pouco antes, o embaixador dos Estados Unidos na Rússia, John Sullivan, entregou a resposta de Washington às demandas de Moscou.

Na resposta por escrito aos pedidos da Rússia, os Estados Unidos se negaram a excluir a possibilidade de que uma adesão da Ucrânia à Otan, como era solicitado pela Rússia, mas ofereceu o que considera uma "via diplomática séria" para resolver a crise.

A carta entregue à Rússia nesta quarta-feira oferece "um canal diplomático sério se a Rússia o desejar", declarou o chefe da diplomacia americana, Antony Blinken, e disse que estava pronto a falar com seu contraparte russo, Serghei Lavrov "nos próximos dias".

"Deixamos claro que há princípios básicos que estamos determinados a manter e defender, inclusive a soberania e a integridade territorial da Ucrânia, e o direito dos Estados a escolherem suas próprias disposições de segurança e alianças", afirmou o secretário de Estado americano à imprensa.

Blinken destacou que a resposta dos Estados Unidos não seria tornada pública "porque acreditamos que a diplomacia tem mais chances de êxito", mas divulgou alguns pontos.

"Sem entrar nos detalhes do documento, posso dizer-lhes que reitera o que Washington vem dizendo publicamente há semanas e em certo sentido há muitos anos: que defendemos o princípio da porta aberta na Otan", disse.

"Falamos da possibilidade de medidas de transparência recíproca em relação a nossas posturas militares, assim como medidas para melhorar a confiança em relação aos exercícios e às manobras militares na Europa", acrescentou.

A Rússia apresentou em dezembro seus esboços de tratados à Otan e aos Estados Unidos sobre segurança e a retirada das forças militares das proximidades da fronteira russa.

Estas demandas foram conhecidas em um momento de profunda tensão na fronteira russo-ucraniana, onde as forças russas concentraram um enorme contingente militar, despertando temores de uma invasão ao território ucraniano.

A Rússia quer garantias de que a Ucrânia não será aceita na Otan e que a aliança militar retirará suas forças instaladas no flanco oriental da Europa.

Stoltenberg disse que em sua carta a Otan tinha identificado áreas nas quais poderia dialogar com a Rússia e mencionou três: diálogo Otan-Rússia, segurança regional e redução de riscos mediante transparência e controle de armamentos.

"Estamos preparados para estabelecer um diálogo sério. Esta é a razão pela qual apresentamos as propostas hoje. Mas, logicamente, também estamos preparados para (...) uma situação na qual a Rússia, uma vez mais, decida usar a força", disse.

Stoltenberg acrescentou que a Otan transmitia à Rússia uma mensagem "de que isso teria graves consequências".

Comentários

Últimas notícias