autoridade ucraniana no País

Encarregado da Ucrânia no Brasil diz que Bolsonaro pode estar 'mal informado'

O Encarregado de Negócios da Ucrânia no Brasil, Anatoliy Tkach, afirmou nesta segunda-feira (28) na embaixada em Brasília, que o posicionamento do presidente Jair Bolsonaro (PL) em relação à invasão russa pode estar ocorrendo por falta de informação

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Publicado em 28/02/2022 às 18:11 | Atualizado em 28/02/2022 às 18:15
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"Eu acho que ele pode ser mal informado, não sabe a situação atual que acontece na Ucrânia", disse Tkach - FOTO: REPRODUÇÃO DE VÍDEO/GLOBONEWS
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O Encarregado de Negócios da Ucrânia no Brasil, Anatoliy Tkach, afirmou nesta segunda-feira (28) na embaixada em Brasília, que o posicionamento do presidente Jair Bolsonaro (PL) em relação à invasão russa pode estar ocorrendo por falta de informação. Maior autoridade ucraniana no País, Tkach disse que "seria interessante" Bolsonaro conversar com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.

 

Segundo o chefe da embaixada, "os presidentes ainda não conversaram depois do início da agressão". Ele declarou que gostaria de "um maior apoio e maior condenação por parte do Brasil à Rússia" e espera que o governo brasileiro mantenha seu posicionamento na ONU (Organização das Nações Unidas).

"O presidente do Brasil se pronunciou neutro. Eu acho que ele pode ser mal informado, não sabe a situação atual que acontece na Ucrânia", disse Anatoliy Tkach.

"Penso que o presidente do Brasil está mal informado, talvez seria interessante ele conversar com o presidente ucraniano para ver outra posição e ter uma visão mais objetiva. Neste momento, não se trata de apoio à Ucrânia, mas apoio aos valores democráticos, ao Direito Internacional, incluindo os fundamentos como a não violação das fronteiras, o respeito de soberania do Estado e de integridade territorial."

Neste sábado, 27, no Guarujá, Bolsonaro evitou condenar a invasão da Ucrânia e se mostrou reticente em relação à possibilidade de a comunidade internacional impor sanções à Rússia. Com vaga no Conselho de Segurança da ONU, o governo brasileiro dará um dos votos sobre o tema na próxima reunião do grupo, prevista para esta semana.

O Brasil foi uma das 11 nações favoráveis à resolução proposta por Estados Unidos e Albânia que condenou, na sexta-feira (25), a investida militar do presidente russo Vladimir Putin. A decisão, no entanto, foi vetada pela Rússia, que é um dos cinco membros permanentes do Conselho e, por isso, tem poder de veto.

Na mesma entrevista, Bolsonaro lembrou o passado de Zelensky. O presidente brasileiro afirmou que a Ucrânia "confiou num comediante o destino de uma nação".

Anatoliy Tkach reagiu e declarou "não importa qual foi a profissão dele (Zelensky) antes de ser eleito, agora ele é o líder da nação". "O nosso presidente é democraticamente eleito", afirmou. "Ele está liderando a guerra com o segundo maior exército do mundo."

O chefe da embaixada também relatou ter enviado um pedido de assistência humanitária ao Ministério das Relações Exteriores brasileiro, que ainda não foi respondido. Na lista, estão itens de primeiros socorros, além de alimentos e roupas.

"Nosso pedido oficial saiu hoje. Mas, já durante as conversas anteriores, já entregamos essa lista às autoridades brasileiras", afirmou.

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