Ao menos 33 mortos em explosão em mesquita no Afeganistão

Ao menos 33 pessoas morreram e 43 ficaram feridas em uma explosão durante as orações de sexta-feira (22) em uma mesquita no norte do Afeganistão, no dia seguinte a dois atentados reivindicados pelo grupo Estado Islâmico (EI)

Amanda Azevedo
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Amanda Azevedo
Publicado em 22/04/2022 às 20:48 | Atualizado em 22/04/2022 às 21:41
AFP
Soldados do Talibã e equipe médica do lado de fora de hospital em Konduz, no Afeganistão - FOTO: AFP
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Da AFP

Ao menos 33 pessoas morreram e 43 ficaram feridas em uma explosão durante as orações de sexta-feira (22) em uma mesquita no norte do Afeganistão, informou um porta-voz do governo talibã, no dia seguinte a dois atentados reivindicados pelo grupo Estado Islâmico (EI).

"A explosão aconteceu em uma mesquita no distrito Iman Sahib de Kunduz e matou 33 civis, incluídas crianças", indicou, no Twitter, o porta-voz Zabihullah Mujahid.

 

Desde que os talibãs voltaram ao poder em agosto do ano passado após derrotar o governo apoiado pelos Estados Unidos, o número de atentados diminuiu no Afeganistão, mas os jihadistas sunitas do EI prosseguiram com os ataques contra grupos que consideram hereges.

"Condenamos este crime e expressamos nossas mais profundas condolências ao falecido", disse Zabihullah Mujahid.

Um correspondente da AFP no local observou a destruição completa de uma das paredes da mesquita Mawlavi Sikandar, frequentada por sufis.

Grupos jihadistas como o EI odeiam profundamente essa corrente do Islã, que consideram herética e acusam seus fiéis de politeísmo - o maior pecado do Islã - por venerar os santos mortos.

"O que aconteceu na mesquita foi horrível. Todos que estavam rezando lá dentro ficaram feridos ou mortos", disse Mohammad Esah, dono de uma loja próxima.

Um membro da equipe médica de um hospital próximo disse à AFP por telefone que 30 a 40 pessoas foram internadas no hospital após a explosão.

"Os restos que encontramos dos corpos dos feridos indicam que o que explodiu foi uma bomba", afirmou à AFP um médico do hospital provincial.

"As pessoas se reuniram para rezar na mesquita e a explosão aconteceu", disse uma testemunha à AFP por telefone.

- Atentados em série -

A explosão ocorre um dia após dois ataques reivindicados pelo grupo Estado Islâmico no Afeganistão, que deixaram pelo menos 16 mortos e dezenas de feridos.

Na quinta-feira (21), ao menos 12 pessoas morreram e várias ficaram feridas em um atentado reivindicado pelo EI em uma mesquita xiita em Mazar-i-Shariff, também no norte do Afeganistão.

Outro atentado nesse mesmo dia deixou quatro mortos em Kunduz.

Nenhum grupo assumiu a responsabilidade por duas explosões na terça-feira em uma escola para meninos em um bairro xiita de Cabul, matando seis pessoas e ferindo mais de 25.

Os afegãos xiitas, principalmente da comunidade hazara, que representa de 10% a 20% dos 38 milhões de habitantes do país, são alvo antigo do EI, que também os considera hereges.

Mais cedo nesta sexta-feira, talibãs informaram ter prendido o "cérebro" do ataque de quinta-feira à mesquita Mazar-i-Sharif.

Autoridades do Talibã insistem que suas forças derrotaram o grupo Estado Islâmico, mas analistas dizem que a organização jihadista continua sendo uma grande ameaça à segurança no Afeganistão.

"Desde que o Talibã assumiu o poder, a única coisa que se presumia era a melhora da segurança", disse Hekmatullah Hekmat, um especialista independente em política e segurança.

"Se isso não acontecer e se não conseguirem conter o EI, vão falhar como o governo anterior", acrescentou.

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