GUERRA

Zelensky promete derrotar o 'mal russo' no aniversário da libertação de Bucha

Bucha deve se transformar em um "símbolo de justiça", disse Zelensky nesta sexta-feira (31)

Filipe Farias
Cadastrado por
Filipe Farias
Publicado em 31/03/2023 às 22:17
HANDOUT / UKRAINIAN PRESIDENTIAL PRESS SERVICE / AFP
Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky - FOTO: HANDOUT / UKRAINIAN PRESIDENTIAL PRESS SERVICE / AFP

Da AFP

O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky, prometeu, nesta sexta-feira (31), uma vitória total contra o "mal" representado pela Rússia no primeiro aniversário da libertação de Bucha, uma cidade que se tornou símbolo das "atrocidades" atribuídas às tropas invasoras.

"Venceremos, é certo, o mal russo cairá, precisamente aqui na Ucrânia e não poderá se levantar novamente", declarou Zelensky em Bucha junto com os primeiros-ministros da Croácia, Eslováquia, Eslovênia e o presidente da Moldávia.

Em Moscou, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, assinou um decreto que valida uma nova doutrina de política externa, que, segundo o ministro das Relações Exteriores Sergei Lavrov, enfatiza "a natureza existencial das ameaças ocidentais" contra seu país.

Lavrov também acusou os Estados Unidos e seus aliados de travarem uma "guerra híbrida" contra Moscou.

'Continuar vivendo'

O Exército russo se retirou de Bucha e de toda a região ao norte de Kiev em 31 de março de 2022, pouco mais de um mês após o início da invasão. Dois dias após a retirada, o massacre foi descoberto.

Os jornalistas da AFP descobriram em Bucha no dia 2 de abril veículos carbonizados, casas destruídas e os corpos de 20 homens com trajes civis, um deles com as mãos amarradas nas costas.

Essas cenas chocaram o mundo. A Ucrânia e os países do Ocidente denunciarem execuções sumárias de civis e "crimes de guerra" que, segundo Zelensky, serão reconhecidos pelo mundo como genocídio".

O Kremlin, por sua vez, negou qualquer envolvimento e afirma que se tratou de uma encenação.

Um ano depois da libertação da cidade, Kiev estima "em mais de 1.400" o número de civis mortos no distrito durante a ocupação russa.

Bucha deve se transformar em um "símbolo de justiça", disse Zelensky nesta sexta. "Queremos que cada assassino, cada carrasco, cada terrorista russo seja considerado responsável por todos os crimes contra o nosso povo", acrescentou.

Os trabalhos de reconstrução neste subúrbio de Kiev, que tinha 37.000 habitantes antes da guerra, já estão em andamento.

O trauma ainda está presente, mas vários moradores contaram à AFP que a "dor está diminuindo" porque é necessário "continuar vivendo".

Este mês, o Tribunal Penal Internacional (TPI) emitiu um mandado de prisão contra Putin pela "deportação" de milhares de crianças ucranianas para a Rússia.

Moscou, por outro lado, negou qualquer envolvimento em crimes de guerra.

Influência chinesa

No front, os combates continuam intensos, especialmente no leste, em torno da cidade de Bakhmut, que os russos vêm tentando conquistar há meses à custa de grandes baixas.

Kiev admitiu na quinta-feira que controla apenas um terço de Bakhmut, mas prepara uma contra-ofensiva, apostando no esgotamento das tropas russas. Também denunciou duas mortes por bombardeios na cidade vizinha de Avdiivka.

O presidente de Belarus, Alexander Lukashenko, que emprestou seu território à Rússia para invadir a Ucrânia, disse que estava pronto para receber as armas nucleares "estratégicas" da Rússia, além das armas "táticas" que Moscou pretende posicionar neste país, que faz fronteira com outros países da União Europeia (UE) e da Otan.

"Por culpa dos Estados Unidos e de seus satélites [países aliados], uma guerra total foi desencadeada", com o risco de "uma terceira guerra mundial com incêndios nucleares", advertiu Lukashenko.

A China, que não denunciou a invasão e, na semana passada, evidenciou sua sintonia com Moscou com a visita à Rússia do presidente Xi Jinping, tenta se apresentar como mediador neutro.

Em fevereiro, Pequim apresentou um plano para uma solução política, que reivindicava diálogo e respeito à integridade territorial de todos os países e rechaçava o uso ou a ameaça de recorrer a armas nucleares.

Os países do Ocidente estão céticos em relação a esse plano chinês e advertem o país asiático sobre qualquer tentação de fornecer armas à Rússia.

O presidente de governo da Espanha, Pedro Sánchez, que está em Pequim, mostrou interesse na proposta apresentada pelo presidente chinês Xi Jinping, mas pediu que ele levasse em consideração a opinião de Kiev.

"Incentivei o presidente Xi para que possa manter uma conversa com o presidente Zelensky para conhecer, em primeira mão, o plano de paz do governo ucraniano", disse Sánchez, que assumirá a presidência semestral da União Europeia (UE) em julho.

O presidente da França, Emmanuel Macron, que viajará à China na próxima semana, alertará Xi de que apoiar militarmente a Rússia em sua ofensiva na Ucrânia seria uma "decisão funesta", indicou o Palácio do Eliseu nesta sexta-feira.

Macron também acusou os dirigentes russos de "terem deixado fazer ou inclusive incentivar" os crimes de guerra cometidos na Ucrânia.

Comentários

Últimas notícias