França e EUA propõem cessar-fogo de 21 dias no Líbano
Israel diz estar aberto a uma solução diplomática em relação ao Líbano, mas utilizará "todos os meios" para conseguir enfraquecer o Hezbollah
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França e Estados Unidos propuseram nesta quarta-feira (25) um cessar-fogo de 21 dias no Líbano, após dias de ataques letais de Israel contra o grupo islamita Hezbollah, apoiado pelo Irã.
Logo após conversas na ONU entre o presidente americano, Joe Biden, e seu colega francês, Emmanuel Macron, Paris anunciou a proposta, em sessão de emergência do Conselho de Segurança.
"Estivemos trabalhando nos últimos dias com nosso parceiro americano em uma plataforma para um cessar-fogo de 21 dias que permita o desenrolar das negociações", disse em Nova York o chanceler francês, Jean-Noël Barrot. "Contamos com que ambas as partes a aceitem", acrescentou, referindo-se a Israel e ao Hezbollah.
"É urgente que todos os atores se comprometam decisivamente com um caminho de desescalada", continuou Barrot, pouco depois de o secretário-geral da ONU, António Guterres, pedir um cessar-fogo imediato no Líbano.
ISRAEL FALA EM 'ALCANÇAR OBJETIVO'
Israel está aberto a uma solução diplomática em relação ao Líbano, mas utilizará "todos os meios" para alcançar o objetivo de enfraquecer o grupo islamista pró-iraniano Hezbollah, afirmou nesta quarta-feira (25) o embaixador israelense na ONU, Danny Danon.
"Estamos gratos a todos os que estão fazendo um esforço sincero com a diplomacia para evitar uma escalada, para evitar uma guerra total", disse o diplomata. No entanto, "utilizaremos todos os meios ao nosso alcance, de acordo com o direito internacional, para alcançar nossos objetivos", concluiu.
Os bombardeios israelenses sobre o Líbano mataram 72 pessoas nesta quarta-feira (25), segundo informou o Ministério da Saúde libanês em seu último balanço desses ataques aéreos.
O ministério destacou em vários comunicados que os "ataques aéreos israelenses" mataram 38 pessoas no sul do Líbano, 12 na região do Vale do Beca e 22 em três municípios ao norte e ao sul de Beirute. Além disso, houve 400 feridos.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou nesta quarta-feira (25), em uma reunião de urgência do Conselho de Segurança sobre os ataques israelenses contra o Hezbollah, que "o inferno está à solta no Líbano".
"Todos devemos nos alarmar com a escalada; o Líbano está à beira do abismo", declarou, reiterando que "o mundo não pode permitir que o Líbano se torne outra Gaza".