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A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e os direitos humanos

"Ignorar a realidade e passar panos quentes em assuntos polêmicos não deve ser, nem de longe, o papel da Igreja Católica, especialmente após a ascensão da igreja livre e "em saída", proposta e consumada pelo Papa Francisco". Leia a opinião de Pedro Eurico

Pedro Eurico
Pedro Eurico
Publicado em 20/02/2021 às 6:01

CNBB
"Fraternidade e Diálogo: compromisso de amor" é o tema da Campanha da Fraternidade 2021 - FOTO: CNBB
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"O pior cego é aquele que não quer ouvir", já diz, com ajustes, o ditado popular. Ignorar a realidade e passar panos quentes em assuntos polêmicos não deve ser, nem de longe, o papel da Igreja Católica, especialmente após a ascensão da igreja livre e "em saída", proposta e consumada pelo Papa Francisco.

Nos últimos dias, essa liberdade vem sendo questionada, a partir do lançamento da Campanha da Fraternidade 2021, que levantou bandeiras importantíssimas na luta pelos direitos humanos, como a cultura de violência contra públicos mais vulneráveis (mulheres, negros, indígenas e pessoas LGBTIQ ) e críticas relacionadas a temas completamente pertinentes ao povo brasileiro, a exemplo da "negação da ciência" e da atuação (pífia, vale ressaltar) do governo federal na condução da pandemia de Covid-19.

"Fraternidade e Diálogo: compromisso de amor" é o tema da Campanha. Ora, o que há de polêmico em combater a discriminação e o ódio? Em disseminar o diálogo com o próximo, como forma de minimizar embates? O que há de errado em propagar a empatia?

Promover a unidade é o dever de todo cidadão e responsabilidade também, pode-se dizer até com maior peso, das instituições que têm a capacidade de influenciar seus seguidores para o bem ou para o mal. Cristãos que condenam qualquer tipo de violência não se dispõem a conviver com a intolerância. Logo, contextualizar a religião ao cenário social que atravessamos não é só possível como extremamente necessário, fundamental.

Em boa hora, a Conferência Nacional dos Bispos Brasileiros (CNBB) abraçou com maior ímpeto a luta das minorias. Sublinhada pelo Concílio Vaticano II, a fraternidade vinculada às temáticas sociais reflete sobre o papel da igreja com o mundo real, com fatos concretos e, por que não, com políticas públicas e sociais. É tempo de derrubarmos os muros e criarmos pontes. Que aproveitemos a quaresma para refletir sobre as questões morais que regem as religiões. Abraçar a intolerância é negar os princípios éticos de qualquer credo.

Como disse Francisco, "Precisamos vencer a pandemia, e nós o faremos à medida em que formos capazes de superar as divisões e nos unirmos em torno da vida".

Pedro Eurico, secretário de Justiça e Direitos Humanos

 *Os artigos são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a opinião do JC

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