ARTIGO

O desejável mundo

"O desejável mundo é feito por e para aqueles que confiam em si, no outro, em sua comunidade, em uma causa". Leia o artigo de Eduardo Carvalho

Eduardo Carvalho
Eduardo Carvalho
Publicado em 30/04/2021 às 6:07
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"As escolhas de hoje projetam o mundo de amanhã" - FOTO: PIXABAY
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As escolhas de hoje projetam o mundo de amanhã. Mudando as escolhas, podemos mudá-lo. E o que escolher? Como escolher? Peter Drucker disse: "A melhor maneira de prever que futuro é criá-lo". Valores devem fundamentar o processo, a exemplos de: dignidade, harmonia, empatia, respeito, bondade.

A criação do mundo desejável deve considerar que o planeta Terra tem recursos finitos e escassos e que a sustentabilidade vem das escolhas harmônicas que fazemos no presente. Sustentabilidade só será possível com a mudança cultural, de mentalidade, desejos e hábitos. É redesenhar o mundo, para melhorar a qualidade de vida.

A abordagem deve ser sistêmica, pois o ecossistema que vivemos é socioambiental, com interdependência entre o tangível da economia e ambiente e o intangível da sociedade e sua cultura. A sua viabilização deve considerar três infinitos, um potencializando o outro: 1) Economia criativa deve ser prioridade estratégica - compreende recursos intangíveis, que não se esgotam, e se renovam e se multiplicam com o uso; 2) As tecnologias - com elas podem ser criados mundos virtuais e infinitas formas de potencializar, conectar, recriar e interagir. A combinação dos dois infinitos gera o terceiro, o das formas de organizar pessoas, empresas, enfim criar uma sociedade em rede, permitindo que cada indivíduo possa exercer o seu potencial, participando e cocriando.

Quando enxergar-se potenciais, constata-se que há abundância, o que falta é fluxo. Na natureza existe saúde onde há fluxo. Água parou, apodreceu; sangue parou, morreu. Precisamos identificar, promover, regular fluxos. Tsunamis ambientais e financeiros; fome ou obesidade; mobilidade social e mobilidade urbana; são problemas de fluxo. Faz-se necessário focar em potencializar os diferenciais de cada indivíduo, instituição, comunidade. E também reconhecer os potenciais que geram ambientes de confiança pessoal, institucional e comunitário, pois confiança é o que alimenta o capital social.

Uma sociedade em rede é colaborativa. Não é viável sem confiar. A inovação e a governabilidade de uma organização dependem da confiança. A falta de confiança resulta na maioria das desarmonias do mundo. Desconfiar consome muito tempo, recursos, energia, conhecimento, alegria. Os custos da desconfiança são enormes. Observe na sua comunidade quanta coisa é movida à desconfiança, como por exemplo, a burocracia que tenta, com pouco sucesso, evitar corrupção. O desejável mundo é feito por e para aqueles que confiam em si, no outro, em sua comunidade, em uma causa. É orientado pelo Cuidar e pelo Afeto. Requer lideranças altruístas com reputações ilibadas.

Eduardo Carvalho, Harvard University Felow

  *Os artigos são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a opinião do JC

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