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O que é preciso para uma terceira via na eleição de 2022

A unidade da terceira via é fundamental, mas não necessariamente visível ao público

Felipe Ferreira Lima
Felipe Ferreira Lima
Publicado em 22/05/2021 às 6:15
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MONTAGEM SOBRE FOTOS/EDITORIA DE ARTES
Lula e Bolsonaro - FOTO: MONTAGEM SOBRE FOTOS/EDITORIA DE ARTES
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Engana-se aquele que desdenha das movimentações políticas de um ano pré-eleitoral. É justo nessa fase que as reais definições do tabuleiro político interferem diretamente no desenho dos possíveis palanques que serão montados para as disputas do ano seguinte. Passar por ela sem observar seus sinais é correr o risco de não compreender o cenário que virá.

Hoje, as expectativas se concentram na configuração da disputa presidencial de 2022. Nela, dois elementos precisam ser analisados: o "fator óbvio" e o "fator surpresa". O primeiro é resultado da polarização que, em tempos de extremos, tem força suficiente para já emplacar os candidatos que representam os polos ideológicos do governo e oposição (direita e esquerda). O segundo é o chamado "elemento coringa", que guarda inúmeras incertezas e imponderáveis, justamente por se posicionar no centro desse tabuleiro de disputa.

A terceira via está necessariamente nesta tortuosa posição central do duelo presidencial de 22, tentando se equilibrar em meio aos puxões dos lados extremos que a veem como presa cobiçada para lhes dar fôlego num possível segundo turno. Mas, o que pensa a terceira via? Que estratégia precisa tomar para não ser engolida? Inúmeros palpites surgirão, porém só um caminho é capaz de fazê-la sobreviver: o da unidade.

Simples assim? Não. Pois esse também é o momento dos postulantes de centro aproveitarem os holofotes para buscarem seus próprios interesses e, com eles, aumentarem a força de representatividade dos seus partidos. Uma vaga de vice aqui, de governador ou senador ali, uma promessa de ministério acolá. Afinal de contas, qual a vantagem de tirar agora seu nome da mídia para assumir um apoio prematuro à um outro nome justo do mesmo campo? Parece melhor esperar os frutos da visibilidade para garantir maiores espaços no futuro e, no momento certo, mais precisamente, às vésperas dos prazos da lei eleitoral, definir quem será o candidato.

Nesse cenário, só resta saber se, nos bastidores, está tudo combinado entre os possíveis postulantes. A unidade da terceira via é fundamental, mas não necessariamente visível ao público. Pois, como diria a frase atribuída ao emblemático ex-vice-presidente Marco Maciel: "na política, quem tem prazo não tem pressa".

Felipe Ferreira Lima, advogado e professor universitário

 

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