ARTIGO

Um ano sem a professora Marília Pessoa Monteiro

"Marília foi uma mulher que amou a vida, o ensino universitário de História (era professora da UFPE), a cultura popular e sua gente". Leia o artigo de Ronaldsa Monteiro

Ronaldsa Monteiro
Ronaldsa Monteiro
Publicado em 05/06/2021 às 6:04
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"No dia 1º de junho de 2020, Marília partiu, ausentou-se, deixando uma saudade imensa" - FOTO: REPRODUÇÃO
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Os gregos acreditavam que a memória era irmã do tempo e do mar. Hoje, mais do que nunca, é preciso reivindicar e colocar em prática o direito de lembrar. Nesse sentido, recordamos Marília Pessoa Monteiro, companheira de toda uma vida, querida por todos aqueles que a conheceram. Há um ano, no dia 1º de junho de 2020, Marília partiu, ausentou-se, deixando uma saudade imensa, difícil de exprimir só com palavras.

Marília foi uma mulher que amou a vida, o ensino universitário de História (era professora da UFPE), a cultura popular e sua gente. Marília amou o mar, o frevo, a literatura, as lutas do povo brasileiro e das mulheres por uma sociedade mais justa, fraterna e solidária. Amou também o Recife e as histórias que lhe chegavam pela "(...) boca do povo, na língua errada do povo, língua certa do povo, porque ele é que fala gostoso o português do Brasil", como escreveu Manuel Bandeira, poeta que ela tanto amava. Ao longo de sua existência, Marília defendeu uma sociedade diferente, indignando-se sempre contra todas as formas de injustiça e opressão. Marília reunia uma rara soma de ternura e tolerância para conviver com a diferença. Sempre afetuosa com seus alunos, costumava citar um poema do qual ela gostava muito e que dizia: "ensinarei o que sei a quem saberá mais do que eu".

O sofrimento que sentimos hoje é partilhado por milhares de famílias que também perderam seus entes queridos nesta tragédia provocada pela pandemia que atinge o mundo e o nosso país. Hoje, Marília estaria indignada, mas sem perder a ternura e a esperança, pois sabia que não há história muda, por mais que tentem silenciá-la. Marília sabia que a memória guarda os sonhos da vida e da história, e os sonhos nunca envelhecem!

Ao reler alguns versos que Manuel Bandeira escreveu para seu amigo Mário de Andrade quando este se foi, chamou-me a atenção um trecho que exprime o que todos estamos sentindo nesse momento: "Você não morreu: ausentou-se (...). A vida é uma só. A sua continua. Na vida que você viveu".

Ronaldsa Monteiro, da Rede Ferroviária Federal

 *Os artigos são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a opinião do JC

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