ARTIGO

Marco Maciel: o alquimista do diálogo

"Aprendamos com a vida vivida por Marco Maciel, o alquimista da fórmula do elixir do diálogo". Leia a opinião de Gustavo Henrique de Brito Alves Freire

Gustavo Henrique de Brito Alves Freire
Gustavo Henrique de Brito Alves Freire
Publicado em 15/06/2021 às 6:01
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CLEMILSON CAMPOS / ACERVO JC IMAGEM
Marco Maciel espediu-se da vida para entrar nos domínios da história - FOTO: CLEMILSON CAMPOS / ACERVO JC IMAGEM
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Na definição de Albert Einstein, "não se pode manter a paz pela força, senão pela concórdia".

Ao ponderar sobre uma tão filosófica, quanto profética, frase, volto o pensamento à madrugada do último sábado 12 de junho, quando despediu-se da vida para entrar nos domínios da história o pernambucano Marco Maciel, figura-síntese daquilo que a Política pode e consegue ser de melhor, nos moldes de quando inventada na antiguidade grega, desde que se reúna um mínimo de boa vontade para isso. Marco Maciel soube, em suma, dominar tal arte. Foi um professor como poucos nesse sentido.

Disse ele certa feita: "Devemos buscar sempre, entre o que nos separa, aquilo que pode nos unir, porque, se queremos viver juntos na divergência, que é um princípio vital da democracia, estamos condenados a nos entender". Será que o tempo o desmente? Ao contrário! Só o corrobora.

Dialogar é a saída à barbárie. É essencialmente coexistir na exposição de ideias, contrapor olhares, refletir, avançar. Em algum desvio de rota pelo caminho, porém, a impressão que se tem é a de que alguém, por ignorância ou má fé, passou a acreditar que a dialogar é outra coisa: um duelo, uma roleta russa, um cabo de guerra, tudo, menos trocar.

No mais fiel estilo do atirar primeiro, perguntar depois, há quem utilize seu espaço de voz para presumir a culpa alheia, antes de qualquer juízo crítico. Não interessa. O que dá graça à vida dessas pessoas é destruir outras.

E quando o espaço de voz é ocupado na pregação de teses intervencionistas, do retrocesso ao passado ditatorial, de fechamento do Congresso e do STF, entre outras propostas? O que dizer? Têm salvação esses pregadores do apocalipse?

Ao despedir-se de cena um personagem da dimensão de Marco Maciel, voz serena que o Alzheimer de há alguns anos já silenciara, essas reflexões recrudescem. A demonização da Política é, em verdade, o fracasso por incompetência de todos nós, cidadãos. O voto, afinal, é livre, de modo que cada um vota em quem quiser. Que escolhas temos feito?

Aprendamos com a vida vivida por Marco Maciel, o alquimista da fórmula do elixir do diálogo, e que, nas divergências pontuais, já que improvável que pensemos sempre diferentemente uns dos outros, saibamos nos enxergar adversários ocasionais, jamais inimigos fratricidas.

Gustavo Henrique de Brito Alves Freire, advogado

  *Os artigos são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a opinião do JC

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