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Marco Maciel: A vida para a política

"Uma das lições deixadas por Marco Maciel, não apenas para quem desfrutava o privilégio da sua proximidade, foi a importância do afeto para a atividade política". Leia a opinião de Priscila Krause

Priscila Krause
Priscila Krause
Publicado em 18/06/2021 às 6:01
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CLEMILSON CAMPOS / ACERVO JC IMAGEM
"Marco Maciel faz falta pelo respeito que sempre inspirou" - FOTO: CLEMILSON CAMPOS / ACERVO JC IMAGEM
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Uma das lições deixadas por Marco Maciel, não apenas para quem desfrutava o privilégio da sua proximidade, foi a importância do afeto para a atividade política. Porque não se exerce qualquer função pública sem o compromisso ético que pede o envolvimento com as pessoas. Com aquilo que angustia, e aquilo que alivia o cidadão. Diante de sua partida, depois do longo período de sofrimento para os amigos e familiares que testemunharam o lento apagar de um cérebro tão ativo de generoso, não é fácil sair da emoção que me liga a Marco Maciel, para buscar em poucas linhas oferecer à sua memória uma singela homenagem - que é também a expressão da gratidão que ecoa por onde ele passou.

Numa época de baixa confiança na política e nos políticos, Marco Maciel faz falta pelo respeito que sempre inspirou. Sua credibilidade estava acima de qualquer suspeita, pela transparência que vinha do trato sincero com todos e da conduta pautada pela honestidade que era parte de seu caráter. Num país dividido por disputas que não se sabe muito bem onde começaram nem por que resistem, Marco Maciel faz falta pelo tom conciliatório que empregava em todos os momentos. O ex-presidente da República não parecia sequer demonstrar esforço para cumprir a missão de procurar o entendimento máximo nos conflitos que surgiam pela frente. O diálogo era seu escudo contra a intolerância e o radicalismo.

Num cenário manchado por inverdades, suspeitas e insultos que desmerecem a política e esvaziam o seu sentido, Marco Maciel faz falta pelas convicções liberais e humanistas que trazia, pela verdade que estampava no olhar, pela polidez dos gestos e da fala. Ele, que foi alvo inclemente de ódio, de mentiras e fake news, portou-se até a última eleição perdida com a galhardia de quem trilhou o caminho do bem, com o dever da existência cumprido. A dedicação ao outro era tamanha que quase não parava para dormir ou se alimentar, focando sua energia vital para o trabalho missionário da política como desígnio do serviço público.

Sou macielista de berço e com orgulho. O mesmo orgulho da pernambucanidade que Marco Maciel refletia e promovia, em honra à história estadual e às necessidades do nosso povo. Restam a saudade imensa, e a responsabilidade de seguir pelo caminho aberto por uma vida virtuosa que fez da política o instrumento da propagação dos ideais da liberdade, na construção de um Brasil melhor para todos, sem exceção.

Priscila Krause, Deputada Estadual

*Os artigos são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a opinião do JC

 

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