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É difícil acreditar em político

"Nessa semana, a Câmara de Deputados aprovou a lei da 'IMPUNIDADE'. Votaram no mesmo barco, em prontidão impressionante, esquerda, direita, centro. Qual o benefício dessa propositura para a sociedade?". Leia a opinião de Otávio Santana do Rêgo Barros

Otávio Santana do Rêgo Barros
Otávio Santana do Rêgo Barros
Publicado em 19/06/2021 às 6:04
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PEDRO FRANÇA/AGÊNCIA SENADO
Congresso Nacional - FOTO: PEDRO FRANÇA/AGÊNCIA SENADO
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Nessa semana, a Câmara de Deputados aprovou a lei da "IMPUNIDADE". Votaram no mesmo barco, em prontidão impressionante, esquerda, direita, centro. Qual o benefício dessa propositura para a sociedade?

Difícil acreditar em político. Continuamos dando-lhes crédito, a espera de notícias que nos alegrem como ganhar um brigadeiro em festa de aniversário. Falta interação sincera com aqueles que lhes devotaram confiança. Mendicantes de nosso voto merecem ostracismo ou, em casos piores, as masmorras da desonra.

Vivemos uma era na qual a desinformação, sem a menor desfaçatez, se impõe como ferramenta de domínio da opinião do eleitor. Tropas de choque ideológicas, cuja missão é espalhar a inverdade, cumprem a determinação de seus mentores como uma seita narcotizada.

Esse processo parece não ter fim, porquanto os personagens não sobrevivem na normalidade da disputa política. Preferem queimar os navios como Hernán Cortéz e seguir adiante em busca de poder em uma realidade paralela.

Radicalizam tentando conquistar novos adeptos para a bolha e manter os que demonstram cansaço e descrença. Esses ainda defendem com denodo os mandamentos cultivados, por temerem o entorno contaminado pelo vírus da insensatez.

Os mentores parecem o porco Napoleão, personagem retratado na obra Revolução dos Bichos, de George Orwell, que reúne os animais na varanda da casa-grande para catequizá-los com as suas verdades.

Se a obra fosse mais contemporânea, Napoleão as publicaria no seu Twitter @EuQueMando dominado pelos robôs cibernéticos e mantido por verbas obtidas pela colheita da granja.

É penoso verificar o nível cultural do povo brasileiro, resquício de decisões passadas, a impedir que a fazenda compreenda os desafios a enfrentar.

Baixa educação gera baixa capacitação. Baixa capacitação gera desemprego. Desemprego escancara a fome. Fome escraviza o indivíduo.

O processo da mentira se retroalimenta a cada hipocrisia informacional. O líder da granja promete o que não pode cumprir e os animais acreditam que finalmente a ajuda se concretizará.

Chegará o momento em que os porcos se sentirão tão poderosos que se lançarão na aventura de dominar a fazenda pela imposição.

Balidos, zurros, relinchos não serão suficientes para amainar as chibatadas enquanto os bichos repetem o mantra impresso no caderninho dos mandamentos:

- Todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais que outros!

Nessa granja, alguns cães rosnadores estão crescendo obedientes a Napoleão. Ao menor sinal atacarão para coibir desvios dos animais inferiores e, como recompensa, a ração dobrada.

Paz e bem!

Otávio Santana do Rêgo Barros, General de divisão R1

*Os artigos são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a opinião do JC

 

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