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Prioridade para grávidas na vacinação contra covid-19: uma decisão acertada

"Em Pernambuco, desde abril o Comitê Estadual de Vacinas Covid permaneceu com a orientação de vacinação neste grupo prioritário". Leia o artigo de Eduardo Jorge da Fonseca Lima

Eduardo Jorge da Fonseca Lima
Eduardo Jorge da Fonseca Lima
Publicado em 24/06/2021 às 6:01
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NORBERTO DUARTE/AFP
"Evidências apontam que a solução correta a ser adotada seria manter a inclusão das vacinas em todas as mulheres grávidas e puérperas" - FOTO: NORBERTO DUARTE/AFP
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Em 2020, o Brasil figurava como o país com a maior mortalidade materna em decorrência de Covid-19 no mundo, chegando a representar 77% da totalidade dos óbitos registrados. Em abril de 2021, a taxa de mortalidade já havia alcançado o dobro do ano anterior: em média, com o registro de 108 mortes mensais em 2021, frente a 54 mensais no ano de 2020. Em Pernambuco, desde abril o comitê estadual de vacinas contra covid-19 permaneceu com a orientação de vacinação neste grupo prioritário com a vacina Pfizer por entender a relevância da vacinação nas grávidas mesmo diferente da orientação nacional.

O Programa Nacional de Imunização do Ministério da Saúde do Brasil (PNI) define os calendários e os grupos prioritários de vacinação levando em consideração vários fatores. Inicialmente o PNI decidiu-se pela inclusão de todas as gestantes e puérperas, com ou sem comorbidades, para a vacinação contra a Covid-19.É importante destacar que as gestantes fazem usam regular na gravidez de vacinas contra a Hepatite B, influenza(gripe) e contra a difteria, o tétano e coqueluche) (dTpa) há anos, com bons registros de segurança.

Entretanto, posteriormente a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o PNI orientaram a suspensão imediata do uso da vacina AstraZeneca em gestantes(devido a um caso de trombose ocorrido com uma grávida no Rio de Janeiro) mantendo a vacinação apenas naquelas com comorbidades e utilizando as vacinas Pfizer ou Coronavac.

Estudo que analisou dados de 2020 nos Estados Unidos, demonstrou que mulheres gestantes foram admitidas em UTIs quase 4 (quatro) vezes mais que mulheres não gestantes. Além disso, mulheres grávidas estiveram quase 3 (três) vezes mais propensas a receberem ventilação mecânica .Mais relevante também é o risco de morte, que foi considerado 70% superior para mulheres gestantes quando comparado àquelas não gestantes.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece que epidemias de doenças como a covid-19 têm o potencial de impactar as mulheres de maneira desproporcional, razão pela qual nesses cenários as políticas públicas devem adotar uma perspectiva de gênero. Portanto, evidências apontam que a solução correta a ser adotada seria manter a inclusão das vacinas em TODAS as mulheres grávidas e puérperas.

As evidências são compatíveis com uma política pública que garanta ampla vacinação nesses casos, considerando que os benefícios têm se mostrado superiores aos prováveis riscos. Vacinas SIM!!

Eduardo Jorge da Fonseca Lima, membro do Comitê Estadual de Vacinas Covid. Representante Regional da Sociedade Brasileira de Imunizações. Conselheiro do CREMEPE.

  *Os artigos são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a opinião do JC

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