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Brasil: haveria país mais necessitado do "pôr as coisas em pratos limpos"?

"País pobre em esforços e resultados no que respeita a avanços institucionais. Aos solavancos, sobrevivemos. Reformas institucionais parecem tema 'de luxo', abstrato, diante de gritantes pobreza e desigualdade". Leia a opinião de Tarcisio Patricio

Tarcisio Patricio
Tarcisio Patricio
Publicado em 20/07/2021 às 6:00
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CAROLINA ANTUNES/PR
"Um Brasil de incompletudes, a despeito do potencial que carrega" - FOTO: CAROLINA ANTUNES/PR
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Haveria país mais necessitado do "pôr as coisas em pratos limpos"? Um Brasil de incompletudes, a despeito do potencial que carrega em áreas como biotecnologia, diversificação de recursos energéticos, informática - entre outras. Prenhe de criatividade em empreendedorismo; desde a economia informal que reproduz baixa produtividade e pobreza ("informal pobre") até o informal "rico". Devido a persistente atraso educacional e a desigualdade de acesso a educação de qualidade, significativa fração da força de trabalho não tem chance de ser absorvida em atividades que mais incorporam inovações tecnológicas, e busca abrigo no mercado informal. Longe de uma atividade massiva de reeducação e qualificação de mão-de-obra. Parcos nossos resultados nesse mister, desde os tempos de abundantes recursos do FAT.

País pobre em esforços e resultados no que respeita a avanços institucionais. Aos solavancos, sobrevivemos. Reformas institucionais parecem tema "de luxo", abstrato, diante de gritantes pobreza e desigualdade. Que se dê a devida importância ao papel de reformas modernizantes, redutoras de privilégios e disparidades, para eliminar desigualdades bem nutridas pelo patrimonialismo do Estado. Sendo reforma política e reforma administrativa pai e mãe de todas as reformas, é chato e revoltante vermos a aprovação - na Câmara, 278 vs 145 votos; no Senado, 40 a 33 - de um megafundo eleitoral de R$ 5,7 bilhões, quase três vezes o valor do das eleições municipais de 2020. Excrescência que é péssimo substituto de um funding via contribuição de empresas privadas e doações individuais - como ocorre em democracias consolidadas.

Ademais, tanta a carência de reformas institucionais indispensáveis ao enfrentamento do atraso de sempre, que é terrível adversidade um governo absolutamente avesso a avanços. O experimento de combate à covid-19, encarando-se desídia, descoordenação e boicote do governo central - trágico contrário do bom senso - diz muito sobre a natureza deste governo. Natureza temperada por bizarro uso espantalho do "socialismo". Por má fé ou estupidez, ignora-se que toda experiência socialista, coletivista, fracassou. Crença em socialismo virou "religião". Eliminação da propriedade privada é pressuposto estrutural, e a economia não funciona bem sem a propriedade privada. E para não virar selva, o mercado precisa de regulação. Óbvio revelado pela História. Repúblicas sindicalistas, também cosa nostra, deram errado. Em estados patrimonialistas como o nosso, o sindicalismo deu em privilégio de castas e corrupção. Anote-se: queda do Muro de Berlim (nov 1989), dissolução da URSS (1991), e a ditadura cubana enfrentando, no momento, manifestações de rua por pão e liberdade. Lições pedagógicas.

Tarcisio Patricio, economista, professor aposentado (UFPE) e consultor.

  *Os artigos são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a opinião do JC

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