Opinião

Pódio garantido

"Enquanto os nossos atletas se esmeram para, no outro lado do mundo, melhorar a nossa classificação olímpica, por aqui, o Brasil já alcançou o desconfortável 2º lugar de mortalidade global causada pela covid-19". Leia a opinião de Antônio Carlos Sobral Sousa

ANTÔNIO CARLOS SOBRAL SOUSA
ANTÔNIO CARLOS SOBRAL SOUSA
Publicado em 26/07/2021 às 7:22
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KAZUHIRO NOGI/AFP
Jogos Olímpicos são realizados em Tóquio, no Japão - FOTO: KAZUHIRO NOGI/AFP
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Teve início o maior evento esportivo do planeta, os Jogos Olímpicos, cuja origem remonta a antiga Hélade, em 776 a.C. Após séculos de esquecimento, as Olimpíadas voltaram a acontecer, em sua versão moderna, em 1896, na cidade de Atenas, por ação do francês, Barão de Coubertin. Segundo o seu idealizador, o conclave serviria para promover a paz entre as nações. Os Estados Unidos lideram o ranking com 2.522 medalhas, enquanto o Brasil ocupa a 36ª posição, refletindo, seguramente, a falta de incentivos à prática desportiva, exceto o futebol.

Enquanto os nossos atletas se esmeram para, no outro lado do mundo, melhorar a nossa classificação olímpica, por aqui, o Brasil já alcançou o desconfortável 2º lugar de mortalidade global causada pela covid-19. Já foi superada a constrangedora marca dos 550.000 óbitos, índice conseguido, até então, apenas pelos estadunidenses, nesta iníqua Olimpíada promovida pelo SARS-Cov-2. A adoção, por parte do novo mandatário americano, de uma política de enfrentamento da virose, embasada na Ciência, que prioriza vacinação em massa da população, tem proporcionado, além da redução drástica do número de infectados e de casos fatais, o retorno ao convívio comunitário de várias localidades. Em contraste, o nosso País contabiliza um número elevado de vidas perdidas, frequentemente de jovens, para o pedágio desta nefasta virose. Reflexo da vacinação completa ainda incipiente, incentivada pela política negacionista e do evidente desleixo das medidas de proteção. Ressalte-se, também, que a virulenta variante Delta, já começa a pontificar em várias localidades.

Não nos valeu, por certo, a experiência imposta por este impiedoso inimigo invisível que continua sendo, visivelmente, desrespeitado por muitos, Brasil afora. Os olhos da imaginação contemplam, fielmente, o quadro em que se debuxam, indeléveis, os lances da luta extenua empreendida pelos destemidos profissionais de saúde. Espera-se que este prélio sirva de inspiração para que a energia gasta na conturbada disputa política que se avizinha, seja canalizada para salvar vidas e não para angariar votos. Caso contrário, subiremos, em breve, ao ponto mais alto do pódio de vítimas da Covid-19.

Antônio Carlos Sobral Sousa é professor titular da UFS e Membro das Academias Sergipanas de Medicina, de Letras e de Educação.

*Os artigos são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a opinião do JC

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