ARTIGO

O acesso à água e ao saneamento é fundamental

"No Brasil, a situação é grave: 16% das pessoas não têm água tratada e 47% não têm acesso à rede de esgoto". Leia o texto de Eduardo Carvalho

EDUARDO CARVALHO
EDUARDO CARVALHO
Publicado em 10/09/2021 às 6:07
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FILIPE JORDÃO/JC IMAGEM
O acesso à água e ao saneamento é fundamental para a dignidade humana - FOTO: FILIPE JORDÃO/JC IMAGEM
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O acesso à água e ao saneamento é fundamental para a dignidade humana: da segurança alimentar e energética à saúde humana e ambiental. Uma em cada três pessoas no mundo não tem acesso à água potável. A ONU estima que, atualmente, cerca de 40% da população mundial não tem acesso seguro à água potável. O número cresce quando falamos sobre os sistemas de tratamento fluvial e de esgoto: mais da metade do mundo não tem serviços de saneamento eficientes.

Os dados alarmantes são críticos porque a água está no centro do desenvolvimento sustentável e das suas três dimensões: ambiental, econômica e social. Os recursos hídricos, bem como os serviços a eles associados, sustentam os esforços de erradicação da pobreza, de crescimento econômico e da sustentabilidade ambiental. Por isso, garantir o seu acesso universal e seguro é o sexto item da lista de Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, para serem cumpridos até o ano de 2030.

Há grandes desigualdades na acessibilidade, disponibilidade e qualidade desses serviços. Em cerca de 25% dos países a cobertura de serviços essenciais entre os mais ricos é pelo menos duas vezes maior do que entre os mais pobres.

No Brasil, a situação é grave: 16% das pessoas não têm água tratada e 47% não têm acesso à rede de esgoto, conforme dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento. Segundo o Instituto Trata Brasil, cada R$1,00 investido em saneamento acaba gerando R$4,00 de economia na saúde. Ou seja, ações de saneamento têm influência direta na prevenção de doenças. O contato com esgoto e o consumo de água sem tratamento está ligado às altas taxas de mortalidade infantil. A principal causa são doenças como parasitoses, diarreias, febre tifóide e leptospirose.

Na cidade do Recife, denominada "Veneza brasileira", o rio Capibaribe e os canais a céu aberto são poluídos. Lamentável, ocorrer essa tragédia num rio que no passado o banho era viável. O Instituto Trata Brasil indica que, em 2019, a cidade do Recife não tinha coberturas em: coleta de esgoto (46%), tratamento de esgoto referente à água consumida (25%). Há também uma parcela da população sem acesso à água (10,7%). No estado de Pernambuco esses indicadores são piores: coleta de esgoto (72%), tratamento de esgoto (32%) e população sem acesso à água (19%).

O cenário urge a expansão desses sistemas e também a revitalização do rio Capibaribe, inclusive viabilizá-lo para o transporte fluvial. Assim, Recife poderá ser chamada, de fato, a Veneza brasileira.

Eduardo Carvalho, Harvard University Fellow

 

*Os artigos são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a opinião do JC

 

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