ARTIGO

O governo disfuncional que certamente ficará como o pior de nossa história

"Sob tal disfuncionalidade, é LONGO o prazo até dezembro de 2021 - melhor seria seguir a via democrática de menor dano: impeachment. Que falta vem fazendo a união do campo democrático, para evitarmos o caos. Quão bom seria não se insistir no desafio ao inimaginável". Leia a opinião de Tarcisio Patricio de Araujo

Tarcisio Patricio
Tarcisio Patricio
Publicado em 14/09/2021 às 6:12
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ISAC NÓBREGA/PR
Bolsonaro durante discurso na Avenida Paulista, em São Paulo, no 7 de setembro - FOTO: ISAC NÓBREGA/PR
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"...reconhecer nossa intolerância, nossa indiferença à realidade iníqua que alegamos combater, nossa servidão voluntária, nossa sujeição eterna à esperança... Vivemos de esperança, futebol, carnaval e retórica vazia. O Brasil perdeu o trem da modernidade de forma tão aberrante que nos restaram apenas as rodovias (obra de empreiteiras corruptoras associadas a políticos corruptos) e o inferno do trânsito nosso de cada dia". Palavras de Fernando da Mota Lima, um dos grandes amigos meus. Em janeiro de 2017 (Facebook), seis meses antes de, prematuramente, sair da cena da vida.

O poeta deixou o país do futuro, da esperança, do improviso, do inesperado. O inesperado, o imprevisível é, obviamente, parte natural da existência. É o caso, por exemplo do inimaginável colapso das Torres Gêmeas (faz 20 anos!), em Nova Iorque, Estados Unidos, depois de sucessivamente atingidas por dois boeings lotados de passageiros e dirigidos por sequestradores suicidas. Episódio cujas consequências imediatas, para os EUA e o mundo, foram a invasão americana do Afeganistão, duas décadas de ocupação, agora a saída desengonçada dos americanos, com volta dos Talibãs ao poder. E uma tragédia humanitária... inimaginável.

Pois é, neste mundo de muitas mudanças e revolução tecnológica (acelerada nos últimos 30 anos), o Brasil - depois de, com o Plano Real, ensaiar retomar o "trem da modernidade" com a derrubada da superinflação e instituição de nova moeda (agora, quase trintona) - frustrou expectativas e voltou a expressar a face de "república bananeira", traço hipertrofiado no presente governo. Vê-se que o espectro "militar" desde sempre ronda a República, que não foi ainda capaz de estabelecer e fazer valer - com clareza e firmeza - o papel constitucional das FFAAs. Redescoberta que se dá sob um governo (disfuncional) que certamente ficará como o pior de nossa história, aparentemente movido pelo princípio de maximização de danos, o que inclui inflação de quase 10% nos últimos 12 meses, talvez próxima de 9,0% em 2021. Sem recuperação econômica minimamente razoável, e mais de 14 milhões de desempregados. O caráter disfuncional do governo é ampliado com a ameaçadora e capenga aventura golpista de 7/set - rechaçada; e coroada por recuo do presidente ("carta Temer"). O suficiente para se "pôr panos quentes". Mas, os crimes agora cometidos montam aos já acumulados. Repito bordão meu: sob tal disfuncionalidade, é LONGO o prazo até dez2021 - melhor seria seguir a via democrática de menor dano: impeachment. Que falta vem fazendo a união do campo democrático, para evitarmos o caos. Quão bom seria não se insistir no desafio ao inimaginável...

Tarcisio Patricio de Araujo, economista, professor aposentado da UFPE e consultor.

 

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