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Não foi uma semana fácil para a assustada sociedade brasileira

"Aliás, os últimos tempos têm sido sombrios. Como diz o renomado jornalista esportivo Milton Leite: que fase!"

OTÁVIO SANTANA DO RÊGO BARROS
OTÁVIO SANTANA DO RÊGO BARROS
Publicado em 25/09/2021 às 6:00
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ALAN SANTOS/PR
Discurso de Bolsonaro na Assembleia da ONU - FOTO: ALAN SANTOS/PR
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Essa não foi uma semana fácil para a assustada sociedade brasileira. Aliás, os últimos tempos têm sido sombrios. Como diz o renomado jornalista esportivo Milton Leite: "que fase!"

Segunda-feira, após uma recepção à comitiva brasileira em Nova Iorque, imagens de um entrevero irracional entre alguns membros da delegação e manifestantes contrários ao presidente estamparam capas da imprensa. Gestos pouco polidos, obscenos, deram o toque de animosidade entre os contendores.

Dia seguinte, no pomposo salão das Nações Unidas, em presença de muitas delegações estrangeiras, o chefe de governo brasileiro teve a honra de abrir os discursos da 76ª assembleia-geral. Foi massacrado pela imprensa nacional e estrangeira, em face do discurso pouco convincente, segundo ela, eivado de impropriedades.

Na mesma terça-feira, já à noite, quando o grupo se punha prestes a embarcar no retorno ao país, notícia bomba revelava que o ministro da saúde, logo ele um dos poucos que usara máscara regularmente em uma comitiva sempre pronta a demonstrar aversão ao seu uso, testara positivo para COVID-19, obrigando-se a permanecer cerrado no hotel, a título de quarentena.

Na quarta-feira, um diretor de plano de saúde, no depoimento para a CPI da pandemia, revelou que a sua empresa estimulava medicamentos não aprovados no combate à COVID-19, além de orientar médicos a alterar prontuários segundo parâmetros internos. O intuito não confessado: burlar a natureza dos óbitos e referendar uma pesquisa institucional. Pacientes transformados em cobaias pseudocientíficas

Na quinta-feira, os telejornais noturnos nos regalaram com uma discussão no plenário da mesma CPI, entre dois "distintos" senadores, na qual só não se chamaram de santo e bonito, o resto valia. Quase aos esporões, foram separados na rinha de galo e reservados em suas gaiolas.

Como podemos desejar comportamentos civilizados da sociedade se alguns de seus líderes são desassistidos de qualquer senso de convivência social, inteligência emocional, humanidade genuína e compreensão da liturgia do cargo?

Como podemos aturar que médicos, compromissados pelo juramento a Hipócrates, abdiquem da missão ética de salvar vidas humanas e usem artifícios para se safarem das amarras da justiça, arguindo o constitucional direito de manter-se calado?

Não somos mais homens de neandertal, habitando uma caverna fria e imunda, em eterna luta pela sobrevivência da raça, e prontos a matar para não morrer.

Somos, ao menos nos cremos, uma civilização humana avançada e apta a conviver entre diferentes. Será? "Que fase!"

Paz e Bem!

Otávio Santana do Rêgo Barros, General de Divisão R1

 

*Os artigos são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a opinião do JC

 

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