ARTIGO

Hipóteses sobre as eleições de 2022

"As candidaturas alternativas à polarização Lula-Bolsonaro têm um papel importante na consolidação da democracia e na construção do futuro do Brasil". Leia a opinião de Sérgio C. Buarque

SÉRGIO C. BUARQUE
SÉRGIO C. BUARQUE
Publicado em 29/09/2021 às 6:11
CIRIO GOMES/ TV JORNAL
TESTE Partidos podem conhecer código-fonte dos equipamentos - FOTO: CIRIO GOMES/ TV JORNAL
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Pesquisas eleitorais são apenas um retrato do humor momentâneo do eleitoral e está longe de antecipar resultados das eleições de 2022. Mesmo assim, sugerem algumas conclusões e permitem levantar hipóteses sobre possíveis desdobramentos no pleito presidencial. A conclusão mais surpreendente é a persistências das intenções de voto no presidente de um governo tão desastroso e nefasto (cerca de 22%). Partindo deste patamar, Jair Bolsonaro tem muitas chances de disputar o segundo turno. Entretanto, outros dados das pesquisas indicam que são mínimas as possibilidades de sua reeleição: rejeição de 59% e 53% de desaprovação do seu governo. A pesquisa Datafolha ainda mostra que 26% dos que votaram em Bolsonaro no segundo turno de 2018 não votariam nele em 2022. Além disso, nas simulações de segundo turno, Bolsonaro perderia feio para Lula da Silva e mesmo para Ciro Gomes ou João Dória. E nada indica uma recuperação da economia no próximo ano que pudesse melhorar sua imagem no eleitorado. Por isso, é muito remoto o risco de reeleição de Bolsonaro. O verdadeiro perigo reside em suas possíveis tentativas de impedir ou tumultuar o processo eleitoral, que crescem na medida em que fica evidente sua derrota.

Pelas pesquisas, Lula poderia ser eleito no primeiro turno, aproveitando a memória do eleitorado e a percepção de que seria o adversário mais forte de Bolsonaro. Esses elementos podem mudar muito até as eleições e durante a campanha eleitoral, quando o eleitorado será bombardeado com dados e informações sobre as mazelas dos governos do PT (verdadeiras e falsas), contaminando a imagem do ex-presidente. E os outros candidatos do chamado "centro-democrático" tendem também a ampliar espaços como oposição a Bolsonaro. Assim, uma vitória de Lula no primeiro turno é possível, mas improvável. E, principalmente, não é desejável, da perspectiva da consolidação democrática. Se, por um lado, teria o mérito de antecipar a derrota de Bolsonaro, por outro, reforçaria o hegemonismo do PT e fortaleceria o populismo de Lula (diferente do populismo bolsonarista, mas, ainda populismo). Além de ser saudável para a democracia, uma disputa de segundo turno poderia forçar uma negociação política para definição de um plano convergente do futuro governo de reconstrução nacional. Por isso, as candidaturas alternativas à polarização Lula-Bolsonaro têm um papel importante na consolidação da democracia e na construção do futuro do Brasil.

Sérgio C. Buarque, economista

 


*Os artigos são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a opinião do JC

 

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