Opinião

CPI da Pandemia em sua fase final

"Instalada no final de abril, a CPI de imediato se configurou numa importante medida sanitária de combate à pandemia. Foi somente após os inícios dos trabalhos que o governo federal resolveu dar importância para algumas medidas simples - mas eficazes - para o enfrentamento da crise sanitária". Leia a opinião de Randolfe Rodrigues

Randolfe Rodrigues
Randolfe Rodrigues
Publicado em 13/10/2021 às 6:47
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ROQUE DE SÁ/AGÊNCIA SENADO
Sessão da CPI da Covid, no Senado Federal - FOTO: ROQUE DE SÁ/AGÊNCIA SENADO
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A CPI da Pandemia chega ao seu epílogo reunindo uma grande quantidade de provas da negligência do governo federal na condução da crise sanitária desencadeada pelo novo coronavírus e cujo saldo em óbitos no Brasil já superou 600.000 vidas perdidas, além das mais de 20 milhões de pessoas contaminadas. Essas estatísticas nos colocam nas primeiras posições do ranking mundial de consequências decorrentes da pandemia.

Instalada no final de abril, a CPI de imediato se configurou numa importante medida sanitária de combate à pandemia. Foi somente após os inícios dos trabalhos que o governo federal resolveu dar importância para algumas medidas simples - mas eficazes - para o enfrentamento da crise sanitária, como a recomendação do uso de máscaras e o isolamento social.

Sua instalação também significou mudança de atitude em relação às vacinas, obrigando o governo federal a interromper sua campanha de desinformação sobre os imunizantes e iniciar negociações para a compra de vacinas destinadas ao Plano Nacional de Imunização.

Sobre essa questão das vacinas, a CPI da Pandemia também foi a responsável por desnudar um bilionário esquema montado dentro do Ministério da Saúde para desvio de recursos públicos destinados a compra dos imunizantes. Não fossem as investigações, jamais saberíamos que o governo federal ignorou mais de uma centena de e-mails da Pfizer oferecendo as suas vacinas a preços inferiores aos praticados em outros países.

Também ficamos sabendo que o governo federal apostou na imunidade coletiva de rebanho expondo a população brasileira ao contágio em massa pelo novo coronavírus. Paralelamente, difundiu um ineficaz tratamento precoce baseado em medicamentos sem nenhuma eficácia contra a covid-19 e que contribuiu para a contaminação e complicações decorrentes do coronavírus, traduzido em mais de meio milhão de brasileiros e brasileiras mortos na pandemia.

Mas não apenas isso: as estruturas governamentais foram ignoradas e em seu lugar foi montado uma espécie de gabinete paralelo de onde irradiavam as políticas públicas de enfrentamento à pandemia, debatidas e implementadas à revelia da ciência e do conhecimento acumulado sobre o novo coronavírus. Em outras palavras, a campanha de desinformação foi feita de forma organizada e sistemática. O que parecia negligência na verdade era estratégia governamental.

O relatório a ser apresentado nas próximas semanas detalhará de forma pormenorizada a cadeia de fatos que resultaram na maior tragédia de nossa história e cujo saldo em vidas perdidas jamais será esquecido. Os responsáveis pelo genocídio terão seu nome gravado na história e serão chamados a responder por seus crimes. São centenas de milhares de famílias que esperam respostas e esta CPI da Pandemia cumprirá com os seus propósitos.

Randolfe Rodrigues, senador

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