ARTIGO

Narrativas contrastantes de Lula e Bolsonaro tentam enganar os brasileiros

"As narrativas convenientes e contrastantes destes arautos tentam enganar os brasileiros e distorcem a imagem do Brasil no exterior". Leia o artigo de Sérgio C. Buarque

SÉRGIO C. BUARQUE
SÉRGIO C. BUARQUE
Publicado em 24/11/2021 às 6:11
Artigo
RICARDO STUCKERT/INSTITUTO LULA E CAROLINA ANTUNES/PR
Lula e Bolsonaro - FOTO: RICARDO STUCKERT/INSTITUTO LULA E CAROLINA ANTUNES/PR
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Diante do comportamento histriônico de Jair Bolsonaro nas suas viagens ao exterior, o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva desfilava com desenvoltura pela Europa, parecendo o verdadeiro chefe de Estado do Brasil. Mesmo que a coincidência das viagens não tenha sido propositada, o sucesso de Lula foi proporcional ao descrédito de Bolsonaro na opinião pública e nas lideranças políticas internacionais. Em plena campanha eleitoral, trataram, cada um ao seu modo, de divulgar mentiras e convenientes narrativas. Entre outras barbaridades, Bolsonaro voltou a afirmar para um mundo incrédulo que a floresta amazônica é quase a mesma que foi encontrada pelos portugueses na descoberta do Brasil, quando os dados mostram a intensificação do desmatamento e das queimadas na Amazônia no seu governo.

Enquanto isso, no meio de um discurso elegante e bem estruturado no Parlamento Europeu, Lula repetiu as velhas e cansadas narrativas de salvador da pátria, pai dos pobres e vítima de uma conspiração reacionária. Mas o contraste com Bolsonaro foi arrasador, para os ouvidos sensíveis dos europeus, quando afirmou (e os dados do INPE confirmam) que o seu governo promoveu uma redução significativa do desmatamento da Amazônia.

Fora isso, Lula desfilou a sua soberba afirmando, entre outras coisas, que "num passado muito recente nós fomos capazes de reconstruir e transformar o país". Como se o Brasil estivesse destruído em 2003, quando assumiu o governo e, claro, escondendo que o sucesso econômico do seu governo deve muito à competente política econômica do governo de Fernando Henrique Cardoso, que preparou o terreno para o período de estabilidade e crescimento econômico, estimulado por circunstâncias internacionais muito favoráveis. Nenhuma mágica de salvador da pátria. Ele ainda repetiu a falácia de que teria mostrado ao mundo "como é possível superar a extrema pobreza e a fome .... em um curto espaço de tempo". O seu "milagre" simplesmente desmontou, a partir de 2012, com a presidente Dilma Rousseff, continuadora da sua obra, confirmando a fragilidade e as limitações da transferência de renda. Para encerrar o festival de narrativas fantasiosas, o ex-presidente Lula ainda voltou a chamar de golpe o impeachment da ex-presidente, difamando as instituições democráticas brasileiras. As narrativas convenientes e contrastantes destes arautos tentam enganar os brasileiros e distorcem a imagem do Brasil no exterior.

Sérgio C. Buarque, economista

 

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