ARTIGO

A quem interessa dividir o IFPE?

"A divisão de uma instituição de porte médio como o IFPE para a concepção de dois institutos de pequeno porte, com oito campi cada, acarreta enorme prejuízo para a educação". Leia o artigo de José Carlos de Sá

José Carlos de Sá
José Carlos de Sá
Publicado em 11/12/2021 às 6:00
DIVULGAÇÃO/IFPE
IFPE campus Caruaru, no Agreste - FOTO: DIVULGAÇÃO/IFPE
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A divisão de uma instituição de porte médio como o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco (IFPE) para a concepção de dois institutos de pequeno porte, com oito campi cada, acarreta enorme prejuízo para a educação profissional, científica e tecnológica no estado, principalmente se considerarmos o fato de que não será criada nenhuma vaga, nenhum curso novo, nenhum campus.

É falso afirmar que a quantidade de campi causa transtorno a qualquer unidade administrativa. Os 16 campi possuem gestão própria, eleita por suas comunidades, com autonomia para gerir de acordo com as políticas institucionais. Ao participar dos órgãos colegiados que administram e regulamentam a nossa instituição, os campi ampliam seu raio de influência para todo o território alcançado pelo IFPE.

Conforme o Decreto nº 7.313/2010, poderão ser incluídos como parâmetros para distribuição orçamentária dos Institutos Federais o número de matrículas, as áreas do conhecimento dos cursos ofertados, a produção de conhecimento, a existência de Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) e programas de mestrado. Uma das grandes forças do IFPE é o atendimento a esses critérios. Na hipótese da divisão, ambas as instituições sairiam gravemente enfraquecidas quando comparadas com outras instituições da Rede Federal.

Considerando ainda que a captação de recursos para a pesquisa é efetivada por meio de projetos que envolvem pesquisadores/as mais produtivos/as nas diferentes regiões do estado, a divisão proposta enfraqueceria também o potencial de captação de recursos junto a agências de fomento e empresas. Além disso, teríamos uma redução imediata do quantitativo das bolsas de Iniciação Científica e de projetos de extensão das agências de fomento.

É importante considerar também que dividir o IFPE seria desrespeitar a decisão da comunidade e do Conselho Superior. Por isso nos perguntamos: a quem interessa de fato a divisão do IFPE? Se as forças políticas que articulam essa divisão estiverem realmente interessadas no desenvolvimento da educação pública em Pernambuco, poderiam propor que o investimento financeiro necessário à criação de uma nova Reitoria fosse direcionado para a solução dos problemas que enfrentamos em consequência dos diversos cortes de orçamento.

José Carlos de Sá, reitor do IFPE

 

*Os artigos são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a opinião do JC

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