ARTIGO

Dia da Advogada, 15 de dezembro

"As recentes eleições para a presidência das seccionais da OAB espelham conquistas significativas que merecem ser lembradas hoje". Leia o artigo de Gisele Martorelli

Gisele Martorelli
Gisele Martorelli
Publicado em 15/12/2021 às 6:05
JORGE GREGÓRIO/DIVULGAÇÃO
Sede da OAB em Pernambuco, no Centro do Recife - FOTO: JORGE GREGÓRIO/DIVULGAÇÃO
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As recentes eleições para a presidência das seccionais da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) espelham conquistas significativas que merecem ser lembradas hoje, 15 de dezembro, quando se comemora o Dia da Advogada, ou o Dia da Mulher Operadora do Direito. Cabe no tom celebratório a chegada de cinco mulheres ao cargo máximo nas seccionais de seus respectivos Estados: Patrícia Vanzolini (São Paulo), Daniela Borges (Bahia), Cláudia Prudêncio (Santa Catarina), Marilena Winter (Paraná) e Gisela Cardoso (Mato Grosso). Antes delas, em 90 anos de existência da OAB, apenas 10 profissionais mulheres haviam seguido a mesma trilha.

O quinteto exercerá mandato no triênio 2022-2024, arrastando consigo a esperança de que tal representatividade, ainda que minoritária (são 27 as seccionais no País), seja apenas a rachadura que derrubará de vez o teto de vidro - expressão utilizada ao longo da luta feminista por igualdade, que designa a barreira invisível, mas impenetrável, para cargos no topo da pirâmide profissional.

Em Pernambuco, a chapa OAB Mais Unida, encabeçada por Fernando Ribeiro, tendo por vice-presidente a colega Ingrid Zanella, foi vitoriosa sobre a concorrência oferecida pela Renova OAB/PE, que também trazia uma mulher, Fernanda Resende, como candidata ao segundo posto, abaixo da presidência postulada pelo advogado Almir Reis. Cabe aqui lembrar a observação feita pela empresária Luiza Trajano, quando de sua participação em seminário no Supremo Tribunal Federal (STF), 10/12/2021, quando ela afirmou em tom de ironia "que as mulheres são sempre procuradas no período eleitoral para serem vice de um homem". No triênio vindouro, é importante que as advogadas pernambucanas se mobilizem para se verem, finalmente, representadas na presidência de sua seccional.

A hegemonia masculina em posições de comando não encontra respaldo nos números, esses, sim, mostrando que existe um equilíbrio quantitativo de profissionais atuantes no setor: o Brasil tem atualmente 1,2 milhão de advogados, 50% dos quais são mulheres, proporção replicada em nosso Estado. Apesar dessa paridade de representação por gênero, as advogadas ganham, em média, 28,5% a menos que sua contraparte masculina. E mais: apenas 34,9% das mulheres são contempladas no quadro de sócios de capital, apesar de responderem por 57% dos profissionais na composição geral dos escritórios.

É preciso que nós, advogadas, aproveitemos esta data congratulatória para consolidar a pauta de ver mais mulheres ascendendo na hierarquia dos segmentos que compõem a estrutura jurídica. Não chegou a hora, já passou da hora.

Gisele Martorelli, advogada

 

*Os artigos são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a opinião do JC

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