Opinião

Empresas capitalizadas vão às compras

Artigo dos consultores Cláudio Sá Leitão e Geraldo Ribeiro, da Sá Leitão Auditores e Consultores, sobre fusões e aquisições de empresas

CLÁUDIO SÁ LEITÃO
Cadastrado por
CLÁUDIO SÁ LEITÃO
Publicado em 20/01/2022 às 7:00
LAYANA RIOS/SUFRAMA
Polo Industrial de Manaus - FOTO: LAYANA RIOS/SUFRAMA
Leitura:

As empresas brasileiras ocuparam, no ano de 2021, uma posição de destaque nas operações de M&A, sigla em inglês, que designa as transações de “Mergers and Acquisitions”, que, em português, pode ser traduzido como “Fusões e Aquisições” ou “F&A”. Os fatores principais, que tem contribuído para as operações de “M&A/F&A”, são as dificuldades financeiras enfrentadas por muitas empresas brasileiras,em função da pandemia, a partir de março de 2020, e a valorização do dólar, em relação ao real, que reduz o preço dos ativos para as companhias brasileiras que tem receitas no exterior ou àquelas estrangeiras que desejam investir em nosso País.

A busca de investidores privados, pelas empresas com falta de recursos para as operações diárias e para os investimentos de curto, médio e longo prazo, foi a alternativa encontrada por elas, pela desistência de abrir o capital, (IPO, sigla em inglês de Initial Public Offfering), devido às incertezas trazidas pela eleição presidencial programada para outubro de 2022. Essas operações envolvem atividades de setores variados, tais como; industrial, agronegócio, saúde e educação. A previsão é a de que os fundos de private equity, que compram participações em empresas, continuarão intensificando pela busca por ativos neste ano de 2022. Esses investidores estão procurando oportunidades em negócios com potencial de crescimento futuro, mas alguns não estão dispostos em pagar preços altos por ativos disponíveis para venda. Apesar da volatilidade provocada pela eleição presidencial e pelas incertezas quanto ao rumo da economia, os investidores internacionais ainda continuam apostando nas boas empresas familiares existentes em nosso País e no potencial de consolidação de seus negócios no Brasil.

Para o ano de 2022, mesmo com as incertezas políticas e com a perspectiva de alta de inflação e, consequentemente, forte elevação de taxa de juros, há uma tendência do movimento de operações e de investimentos continuarem aquecidas, mas não na proporção do exercício de 2021. Contribui para isso as incertezas da reforma tributária (RT) que, provavelmente, terá prioridade no Senado no primeiro semestre deste ano, quando as questões eleitorais ainda não tomaram tanta força. O objetivo do Senado é aprovar uma RT que tenha apoio da maioria dos parlamentares.

O Projeto de Lei (PL), que será votado, trará mudanças significativas na ocasião da alienação das participações societárias, mas não sabemos se o PL será aprovado na integra e qual a redação será aprovada. Mas o importante é ficar atento ao tema da RT, pois poderá impactar profundamente o mercado das operações/transações de “M&A/F&A”. Apesar do cenário de incertezas, a taxa de câmbio (diferença do dólar frente ao real) é o grande atrativo de investir, sendo o momento interessante para as empresas capitalizadas irem as compras.

Cláudio Sá Leitão e Geraldo Ribeiro, sócios da Sá Leitão Auditores e Consultores.

 

Comentários

Últimas notícias