OPINIÃO

Política pública brasileira de educação debatida em Stanford, na Califórnia

A Universidade de Stanford acompanha esse debate há um tempo e hoje desenvolve uma pesquisa, sob o comando da professora Filomena Siqueira e do professor Douglas Ready, para avaliar a implementação da BNCC.

MENDONÇA FILHO
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MENDONÇA FILHO
Publicado em 21/05/2022 às 10:41 | Atualizado em 21/05/2022 às 10:42
BRUNO CAMPOS/JC IMAGEM
Educação, Sala de Aula, Agreste. - FOTO: BRUNO CAMPOS/JC IMAGEM
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Esta semana tive uma experiência muito gratificante ao participar de um debate no Centro de Educação da Universidade de Stanford, na Califórnia, com professores, pesquisadores e estudantes brasileiros sobre a nossa experiência no Ministério da Educação, a implementação da Base Nacional Comum Curricular e o impacto positivo dessa política pública na formação de professores, na aprendizagem, nos recursos didáticos, nas avaliações. O debate da BNCC não nasceu na nossa gestão no MEC. O tema vinha sendo discutida há anos. Tive o privilégio de, ao lado de uma equipe competente, entregar ao Conselho Nacional de Educação a versão final, que foi homologada pela nossa gestão.
Passados cinco anos de sua homologação, a BNCC da Educação Infantil e do Ensino Fundamental já foi implementada 99% das redes educacionais. A do ensino médio é realidade em 88.9% das redes, em 24 estados, segundo o Movimento pela Base. Uma política pública brasileira, que impacta a qualidade da educação, e está sendo objeto de estudo num centro de excelência como o Centro de Educação de Stanford, na California.
A Universidade de Stanford acompanha esse debate há um tempo e hoje desenvolve uma pesquisa, sob o comando da professora Filomena Siqueira e do professor Douglas Ready, para avaliar a implementação da BNCC. Diante das diversas tentativas de construção da BNCC, o nosso papel principal no MEC foi buscar a formação de consensos, diminuir as tensões entre visões mais antagônicas, tanto nas questão técnicas, quanto nos componentes político e ideológico, que têm contaminado, com frequência o debate da educação.
Para a BNCC sair do papel e chegar ao “chão da escola”, foi fundamental alinhar os principais pontos em discussão, trabalhar com evidências, priorizar o debate técnico, focar em conteúdos que conectem as crianças e jovens do país com o aprendizado que o prepare para o mundo. Destaco a dedicação e o empenho da professora Maria Helena Guimarães, então secretária-executiva do MEC, na coordenação da discussão e elaboração da BNCC.
Pesquisa do Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação da Universidade Federal de Juiz de Fora, em parceria com o MEC, com mais 24 mil profissionais da educação, aponta o impacto positivo da BNCC na prática e na cultura educacionais: 79% dos professores avaliam positivamente a implementação da Base no seu comportamento profissional. Enquanto 87% dos diretores acreditam que contribui para melhorar a gestão educacional. O coordenador da pesquisa, Marcelo Burgos, destaca a valorização da centralidade do currículo e o entendimento de que a BNCC favorece a diversidade, a autonomia, estimula a imaginação e a criatividade locais. E aproxima os currículo das realidades concretas das escolas e de seus alunos. Uma conquista incalculável.

Mendonça Filho, ex-ministro da Educação e consultor da Fundação Leman

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