
Venho acompanhando os indicadores do turismo junto ao Ministério do Turismo (MTur) e à Embratur, enxergando números auspiciosos à recuperação dessa atividade, que é a primeira a sofrer as consequências das mazelas sociais e a última a se recuperar. Os governos, nas três esferas de poder, parecem gritar a mesma voz de comando, no esforço de encontrar meios à consecução de medidas proativas ao fomento e à difusão do turismo.
O turismo - alvíssaras! - representa cerca de 8% do PIB (R$ 630 bilhões), empregando 7 milhões de pessoas. Somente em março deste ano, o turismo brasileiro criou aproximadamente 22 mil novas vagas de empregos, sendo metade no segmento de alojamento e alimentação. Também em março, dados consolidados pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), apontam que 7 milhões de passageiros voaram pelos céus do país - um incremento de um milhão de passageiros em relação ao mesmo período do ano passado.
Segundo o Índice de Atividades Turísticas, medido pelo IBGE, o setor de turismo segue em crescimento e já se identifica 1,9% acima do patamar pré-pandêmico, na comparação entre fevereiro de 2023 e de 2020. Na comparação entre fevereiro deste ano e de 2022, o crescimento foi de 14,8% no faturamento das atividades que integram o setor de turismo, como transporte de passageiros, alojamento e alimentação.
No mundo, segundo dados do Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC), a previsão é de que, neste ano, o setor movimente US$ 9,5 trilhões nas economias dos países, representando 9,2% do PIB mundial, além de criar 24 milhões de empregos. O WTTC prevê que o setor aumentará sua contribuição para o PIB na razão de US$ 15,5 trilhões até 2033, representando 11,6% da economia global, e empregará 430 milhões de pessoas em todo o mundo, com quase 12% da população empregada no setor.
Em relação aos impactos da pandemia, cabe observar que, em 2021, o Brasil registrou 12,3 milhões de viagens, sendo 99% delas dentro do país, com R$ 9,8 bilhões injetados na economia. A redução na comparação com 2019, antes da pandemia, é de 41%, quando foram realizadas 20,9 milhões de viagens no país. A maior parte das viagens a lazer foi para destinos de sol e praia (48,7%), seguida por natureza (25,6%) e cultura e gastronomia (16%).
Em 2019, o Brasil recebeu cerca de 6,35 milhões de turistas internacionais. No ano seguinte - pasmem! - foram registrados 2,15 milhões de ingressos, o que representa uma queda de 66,2%. Em 2021, encerrou com 745.871 turistas, 65,3% a menos na comparação com 2020, e 88,3% inferior ao resultado obtido em 2019. Portanto, uma redução em queda livre.
Durante todo o ano passado, ainda como reflexo da pandemia frente ao fechamento de fronteiras, o número de visitantes estrangeiros foi de 3,63 milhões. Os argentinos (1.032.762), os norte-americanos (441.007) e os paraguaios (308.234) foram os que mais visitaram os destinos brasileiros ao longo do último ano.
Em relação aos gastos dos turistas internacionais no país, em 2022, foram US$ 4.952 bilhões, representando um crescimento de 68% em relação ao ano anterior, quando foram contabilizados US$ 2.947. Também mostra uma alta de 62,6% em comparação ao ano de 2020, início da pandemia de Covid-19.
No primeiro trimestre deste ano, o Brasil recebeu mais de 2,3 milhões de turistas internacionais. O número superou o registrado em 2019, ano pré-pandêmico, quando cerca de 2,29 milhões de turistas entraram no país durante o mesmo período. Com essa movimentação, os gastos destes turistas cresceram e contabilizaram o melhor mês de março dos últimos seis anos, com o incremento de US$ 570 milhões.
No final do túnel a luz aumenta, a cada dia, a sua voltagem, alumiando o caminhar do turismo. Que bom!
Roberto Pereira, ex-secretário de Educação e Cultura de Pernambuco e membro da Academia Brasileira de Eventos e Turismo (Abevt).