COVID-19

Coronavírus: pernambucanos buscam interior e litoral para passar a quarentena

Para se afastar das aglomerações dos grandes centros urbanos, muitos pernambucanos têm buscado se isolar em outras cidades

Amanda Rainheri
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Amanda Rainheri
Publicado em 22/04/2020 às 19:00 | Atualizado em 22/04/2020 às 19:00
BRUNO SANTANA/PREFEITURA DE GRAVATÁ
De início, quatro pontos foram montados em Gravatá - FOTO: BRUNO SANTANA/PREFEITURA DE GRAVATÁ
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Para se afastar do epicentro dos casos do novo coronavírus (covid-19), que se concentram, sobretudo, na Região Metropolitana do Recife (RMR), muitos pernambucanos estão cumprindo as medidas de isolamento social decretadas pelo governo em cidades do interior e do litoral do Estado. Nesta quarta-feira (22), Pernambuco chegou a 3.298 casos confirmados da doença, que já tirou a vida de 282 pessoas.

Entre os que buscaram a tranquilidade de interior está a aposentada Maria Letícia dos Santos, de 61 anos. Ela e o marido, que vivem em Boa Viagem, Zona Sul do Recife, estão na casa da família em Gravatá, no Agreste do Estado, há cerca de quatro semanas. "Assim que começaram os casos, inciaram as proibições. Eu caminhava na praia e, de repente, não podia mais descer. Me sentia presa. Então, resolvi vir pra cá ver como estava a situação", conta a aposentada. "Aqui consigo fazer trilhas e conversar com os vizinhos do meu terraço para o deles, respeitando a distância recomendada de mais de 2 metros", completa. 

A aposentada tem tomado outros cuidados, como ir ao supermercado durante a semana, já que o fluxo de pessoas na cidade aumenta nos finais de semana. "A gente limpa o piso todos os dias e não entra com os sapatos quando sai para caminhar. Estamos lavando as mãos e usado álcool em gel, que deixamos no carro também, para quando saímos para fazer compras. Desço de máscara e luvas e quando volto para casa lavo as sacolas antes de entrar", conta. 

Segundo ela, equipes de vigilância da prefeitura do município já estiveram no condomínio para fiscalizar e orientar a população. A Prefeitura de Gravatá intensificou, na última semana, o trabalho preventivo junto a condomínios e privês da cidade, onde pessoas estão passando o período de quarentena. “Estamos sendo muito bem recebidos tanto pelos condôminos quanto pelos funcionários. A gente passa orientações sobre a importância de manter o isolamento social e também fazemos um levantamento e colhemos informações acerca do estado de saúde e se houve algum contato com pessoas que apresentaram algum sintoma do novo coronavírus”, disse o agente comunitário de saúde do município Cícero Valdecir de Melo. 

A consultora de intercâmbio Bianca Costa e Silva, 27, também deixou sua casa em busca de um local mais tranquilo para passar a quarentena. Há um mês ela, o pai e a mãe, que vivem em Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, Grande Recife, estão no hotel da família, na Ilha de Itamaracá, no Litoral Norte. "O hotel fechou e decidimos vir para cá logo que comecei a trabalhar em home office. Me sinto muito mais segura, porque os locais, como supermercados, estão mais vazios."

Bianca conta que o clima na cidade é de tranquilidade. A entrada na ilha, segundo ela, está liberada, mas as ruas seguem vazias e as pessoas têm ficado em suas casas. Também é possível ver policiais e guardas rondando as ruas. Apesar disso, os cuidados seguem sendo tomados. "Não saio sem máscara e sempre levo álcool em gel. Também deixo para fazer compras uma ou duas vezes na semana", conta a consultora. 

A Prefeitura de Itamaracá tem orientado a população a permanecer em suas casas. Comércio considerado não essencial segue fechado, assim como as praias. De acordo com a prefeitura, no posto do BPRv, na entrada da ilha, os polícias militares, em conjunto com agentes da Guarda Municipal e da Secretaria de Saúde, fazem fiscalização impedindo que ônibus, vans ou qualquer outro veículo de turismo entre na Ilha.

Litoral Sul

De acordo com a Concessionária Rota do Atlântico, responsável pela PE-009, principal acesso para Suape e Litoral Sul do Estado, houve redução de 54% do fluxo de veículos de passeio e 18% no volume de veículos pesados no último mês. Apesar da redução, ainda registra-se um acréscimo de cerca de 15% de tráfego nas sextas-feiras, comparado ao que vem sendo registrado entre segundas e quintas-feiras.

Para reduzir interação pessoal e transações em dinheiro, a Rota do Atlântico está distribuindo gratuitamente dispositivos em suas cabines de pedágio que permitem o uso da pista automática. “Com essa tecnologia, não será mais necessário manipular dinheiro ou parar. Pois o pagamento é feito de forma automática, limpa e digital, debitando diretamente da conta bancária sem qualquer taxa ou mensalidade”, explica Elias Lages.

A iniciativa foi possível através de parceria com as operadoras Conectcar, Sem Parar e Veloe, que estão oferecendo o serviço sem taxa de adesão e mensalidade com prazos de benefícios diferentes.

“Além desta tecnologia, estamos adotando rigorosas medidas profiláticas como o uso e máscaras, luvas e higienização constante dos ambientes de trabalho para conter a contaminação de motoristas, que circulam pela rodovia, e de nossos integrantes que garantem a manutenção dos serviços como os de resgates em casos de acidentes, ou ajuda mecânica que ainda são demandados, mesmo com a redução do fluxo”, completa o gestor.

A Rota do Atlântico está mantendo seu serviço de emergência 24h, com equipes de socorro médico e mecânico. A frota inclui ambulância, guinchos, carros de inspeção e de recolhimento de animais. O serviço pode ser acionado pelo telefone 0800.031.0009.



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