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Hoje é o dia do Orgasmo. Como está o sexo na pandemia? Relatos de casais e solteiros, dicas de sexóloga e produtos de sexshop

O que mudou na rotina dos casais? Os solteiros deixaram de transar? Como se viraram os confinados? Veja:

Maria Lígia Barros
Maria Lígia Barros
Publicado em 31/07/2020 às 16:17
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Confinamento afetou rotina sexual de muitos - FOTO: PIXABAY
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Em plena pandemia do coronavírus, o Dia do Orgasmo é celebrado nesta sexta-feira (31) de maneira diferente. Entre tantas mudanças que a quarentena suscitou nas relações pessoais, o sexo também não passou incólume. Confinados em casa, tanto os casais quanto os solteiros vivem um momento inédito na rotina sexual. Seja pelo convívio intenso ou pela abstenção, o fato é que muita gente precisou entender melhor a si e ao outro para conseguir navegar esse período, conturbado em tantos aspectos.

Para a consultora de projetos Maria*, de 31 anos, casada há 4 com Gabriel*, 35, os últimos meses foram de altos e baixos na vida íntima do casal. “A cabeça fica um mix de coisas, e isso termina refletindo. Quando eu estou com ansiedade, preocupada com emprego, sem saber o dia de amanhã, não consigo nem me mexer direito. Quanto mais fazer sexo”, comenta.

A frequência das relações sexuais também foi afetada por questões que estavam adormecidas: o confinamento trouxe à tona todas as brigas do passado. “Muitas DRs (discussões de relacionamentos). As tretas voltaram todas”, diz. Nada que não se resolvesse: “Vai melhorando, depois vai piorando. Fica nesse vai e vem”.

O relato não foge muito do que a sexóloga Magali Marino tem escutado em consultório. Para a especialista, os casados são os que sofreram o maior impacto no sexo. Isso porque a gente tende a desejar aquilo que não tem, ela conta, parafraseando o pai da psicanálise, Sigmund Freud.

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“Os casais que hoje estão casados e no seu dia a dia estão juntos na mesma casa começam a descobrir as coisas que antes não apareciam, porque saíam para trabalhar, saíam para o barzinho. Agora, você tem o dia todo com aquela pessoa e começam a cair os véus. Começam os desencontros”, detalha.

Daí, nascem as cobranças. Embates que podem emergir de questões do dia a dia, como a divisão do trabalho doméstico. “O sexo, então, passa a ser uma coisa secundária, porque os atritos vêm como um porta estandarte. Eles se intensificaram e é o que vem na linha de frente, em detrimento ao desejo sexual”, fala.

A esses parceiros, a psicóloga sugere uma boa dose de autoanálise. “Veja onde é que está a falta nessa relação, o que é projetivo. Comece a ver o que está cobrando do outro, que na verdade está em falta em mim. O que eu quero que o outro preencha em mim?”, levanta.

Fogo cresce para os casais que não moram junto

Se o desejo nasce da ausência, “bom” para os casais que moram separados. Aqueles que tiveram de cumprir o isolamento longe um do outro experimentaram um fogo maior no momento do reencontro.

Foi assim com a atriz Débora*, 25, que precisou se afastar do parceiro Paulo*, 24, com quem se relaciona há dois anos. “Teve o boom da doença e a gente achou mais coerente a gente parar de se encontrar por um tempo. Ele mora com a mãe dele, que é uma senhora, e eu principalmente não queria colocá-los em risco”, fala.

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Mesmo quando voltaram a se ver, era apenas uma vez a cada 15 dias. “É um contexto bem diferente do que a gente vivia pré-pandemia, que a gente se via e dormia junto quase todo dia”, relata. Resultado: “A gente acabou ficando mais carente. Quando se via, ficava tão grudado, que não queria desgrudar”, relata.

A psicóloga Magali confirma que muitos casais tiveram essa vivência. "Acho que nesse momento que a gente se distancia, por qualquer motivo, isso dá uma intensidade no desejo sexual. O sexo vem muito das fantasias, e você passa a fantasiar com aquele momento quando a pessoa está longe.”

Solteiros deixaram de transar?

Enquanto isso, no mundo dos solteiros, o problema é similar. Com o distanciamento social, ficar junto dos ‘contatinhos’ significava driblar as orientações sanitárias de organismos de saúde mundiais e locais. Mesmo assim, Magali conta que nem todo mundo deixou de transar.

“O que eu tenho visto na minha clinica é que as pessoas não abriram mão. Algumas sim, mas outras continuaram se encontrando”, expõe. Novamente, entra em prática o desejo. “Isso se intensifica, e é a coisa do ‘ vamos dar um jeito’. Além disso, as pessoas têm uma sensação de onipotência, que é o pensamento de que ‘acontece com o outro, comigo jamais’”, fala, em relação à covid-19.

Mesmo preocupado e acompanhando a evolução da pandemia desde o seu início, o cientista social Iago*, 31, fez um acordo para continuar vendo a ficante. “A gente tinha um esquema de se encontrar a cada 15 dias para um outro oferecer segurança”. “Mas agora que está dominando essa sensação de que tudo passou, a gente está bem mais relapso e se vê mais vezes”, admite.

Ainda assim, longe do ideal. Logo quando o vírus chegou ao País, Iago, solteiro há 1,5 ano, apagou os aplicativos de namoro do celular. Agora, sobra a vontade. “Quero mais”, ri.

Brinquedos eróticos para o autoconhecimento

Já quem seguiu à risca as medidas de distanciamento social passou um bom tempo sem transar. É o caso da instrutora de ioga Sabrina*, 23, que ficou em quarentena na casa da avó por cerca 115 dias. “Durante esse período saí apenas para questões emergenciais”, revela.

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Mesmo se considerando bastante ativa sexualmente, no fim das contas, ela avalia o período positivamente, como uma oportunidade de se conhecer melhor. Tão logo começaram as restrições, comprou um vibrador e acessórios de pompoarismo (técnica para treinar e fortalecer a musculatura da vagina).

“Sempre tive vontade de ter, mas como viajava, tentava ter poucas coisas para carregar. Como ia ficar muito tempo no mesmo lugar, resolvi fazer a compra. Nunca tinha usado na minha vida”, revela.

Com os brinquedos, descobriu-se ainda mais livre sexualmente. “Senti que me aproximei mil vezes mais de mim mesma e me conheci de diversas maneiras. Muito rico esse momento que me fez ‘ser obrigada a estar comigo mesma’, tanto no aspecto físico e psicológico, me fez desenvolver uma solitude da questão sexual, explorar meu próprio corpo e me empoderar enquanto mulher. Uma coisa que vou levar para o meu dia a dia pós-quarentena”, conclui.

O uso de adereços eróticos é recomendado por Magali. "É muito propício para fazer essa descarga de energia, de excitação. O vibrador é interessantíssimo e funciona para esse processo de autoconhecimento."

"Eu indiquei muito o vibrador agora, e indico independente da pandemia, especialmente para mulheres que tem dificuldade de chegar ao orgasmo - dispareunia, anorgasmia e vaginismo". Situação mais comum do que se pode imaginar: uma pesquisa do departamento de Transtornos Sexuais Dolorosos Femininos da Universidade de São Paulo (USP) revelou que 55% das brasileiras não têm orgasmos durante o sexo.

Aumenta procura nos sex shops

Nos sex shops, a quarentena rendeu lucro. De acordo com Vanessa Pessoa, proprietária da loja Doce e Pimenta, na Torre, Zona Norte do Recife, as vendas cresceram nos últimos meses.

“Principalmente na parte de acessórios - de vibradores, masturbadores masculinos - aumentou bastante. E não só pelo site; temos e-commerce, mas fizemos muitas vendas através do WhatsApp e do Instagram”, afirma.

Na avaliação da empresária, o incremento na demanda foi favorecido pelo confinamento. “Sem dúvida as pessoas tiveram a necessidade sexual do estímulo, e estar se cuidando mais, não querendo sair com qualquer pessoa. Os casais também aumentaram o consumo para sair da rotina.”

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Dona de um sex shop no bairro da Torre, Zona Norte do Recife, Vanessa Pessoa confirma que as vendas online cresceram - Divulgação

Vanessa mostrou alguns produtos que têm feito sucesso. Conheça:

Kit Pérola - Kit usado para masturbação do pênis, pode ser usado 'solo' ou com o parceiro. "Ele vem com um gel, lubrificante, e um colar de pérola. Você passa um gel no pênis e envolve com um colar para fazer a massagem. É bem prazeroso", descreve Vanessa.

Egg - Masturbador masculino em formato de ovo. "Ele é vazado, e o interior tem cápsulas de alto relevo que vão massageando na descida e subida. O acessório vem com lubrificante."

Vibradores internos e clitorianos - Para pessoas com vagina, há uma gama de modelos de vibradores. Ela recomenda um modelo de silicone aveludado, que possui 30 modos de vibração e 2 motores distintos.

Bullet - Do inglês, significa bala. É um masturbador feminino com controle remoto sem fio. A empresária sugere para brincadeiras em casal. "Dá uma interação, o parceiro fica no comando da situação. E para a mulher é um espetáculo. Pode ser usado tanto na região interna quanto clitoriana."

*Os nomes foram alterados para preservar a identidade dos entrevistados

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Dona de um sex shop no bairro da Torre, Zona Norte do Recife, Vanessa Pessoa confirma que as vendas online cresceram - FOTO:Divulgação

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