Projeto

Iniciativa abraça idosos através de cortinas e garante afeto e proteção durante pandemia

A ação Cortina de Abraços, que chegou à capital pernambucana nesta sexta-feira (7), vem sendo realizada em todo o Brasil

Mayra Cavalcanti
Mayra Cavalcanti
Publicado em 07/08/2020 às 13:00
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Bruno Takahashi/Sodiê Doces
A troca de carinho foi possível graças a uma cortina confeccionada com um plástico resistente, e que não permite contato físico entre as pessoas, mas garante que o abraço seja dado - FOTO: Bruno Takahashi/Sodiê Doces
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Há meses sem receber visitas e sem contatos físicos devido à pandemia do novo coronavírus, cerca de 100 idosas do Abrigo Espírita Lar de Jesus, no bairro da Torre, e do Centro Geriátrico Padre Venâncio, na Várzea, ambas na Zona Oeste do Recife, puderam, finalmente, transformar a saudade e o desejo de abraçar em atitude, de forma segura, através do projeto "Cortina de Abraços". A ação, que chegou à capital pernambucana nesta sexta-feira (7), vem sendo realizada em todo o Brasil.

A troca de carinho foi possível graças a uma cortina confeccionada com um plástico resistente, e que não permite contato físico entre as pessoas, mas garante que o abraço seja dado. A peça tem assinatura da artista plástica Diná Rocha, e a ação foi idealizada pela empresária Cleusa Maria da Silva, da Sodiê Doces. A iniciativa foi uma forma segura que a empresária encontrou para distribuir abraços para os idosos e distribuir bolos da marca. Sem prazo para ser retirada dos abrigos, a cortina possibilitou o reencontro físico das idosas com familiares.

No Centro Geriátrico Padre Venâncio, lar de 42 idosas, com idades entre 60 e 101 anos, ação foi recebida com alegria pelas moradoras. É o caso de Laerci Alexandre de Souza, de 89 anos. "Foi muito bonito. Eu não tenho nem palavras para dizer como estou feliz. Faz muito tempo que não abraço, quando começou esse vírus, a gente não podia sair e eles (familiares) não podiam vir. Hoje eu vi, abracei, senti eles comigo. Sinto muita falta das minhas visitas", relata a idosa, que vive no abrigo há três anos.

Depois desta sexta, no entanto, a cortina permanecerá nos locais por período indeterminado, seguindo sempre os protocolos de higienização, para garantir proteção e segurança dos moradores. Esmeralda Moura, gerente de Educação e Assistência da Santa Casa de Misericórdia, que administra o Centro Geriátrico Padre Venâncio, explica que, no início da pandemia, todas as visitas foram suspensas, além da criação de diversos protocolos para evitar a transmissão da covid-19 às pessoas do abrigo.

"Reforçamos a prática de higiene do ambiente e pessoal, reforçamos também o aspecto nutricional, para manter a imunidade das idosas. O processo de chegada dos colaboradores teve que ter toda cautela", comenta. Com o passar dos dias, a casa geriátrica começou a realizar chamadas por vídeo, para que as idosas pudessem continuar em contato com a família. "Elas se ressentem desse afastamento dos familiares. O reencontro foi muito emocionante, já tinha acontecido por a videochamada, mas o contato físico é diferente, o afago é muito importante e essa oportunidade é única", acrescenta Esmeralda.

Ela conta que o centro criará um cronograma para os familiares que não puderam ir nesta sexta-feira, mas que desejem abraçar suas entes que moram no espaço. A ação "Cortina do Abraço" teve início em São Paulo e vem acontecendo em todo o Brasil. Na última terça-feira (4), a iniciativa foi realizada na cidade de Natal, no Rio Grande do Norte e, nessa quinta (6), foi a vez de Salvador, na Bahia, receber o projeto.

Bruno Takahashi/Sodiê Doces
A ação Cortina de Abraço vem sendo realizada em todo o Brasil - Bruno Takahashi/Sodiê Doces
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A cortina permanecerá nos locais por período indeterminado, seguindo sempre os protocolos de higienização, para garantir proteção e segurança dos moradores - Bruno Takahashi/Sodiê Doces
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Sem prazo para ser retirada dos abrigos, a cortina possibilitou o reencontro físico das idosas com familiares - Bruno Takahashi/Sodiê Doces
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No Centro Geriátrico Padre Venâncio, lar de 42 idosas, com idades entre 60 e 101 anos, ação foi recebida com alegria pelas moradoras - Bruno Takahashi/Sodiê Doces

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