Grande Recife

Rodoviários da Vera Cruz realizam ato em frente à garagem da empresa, em Jaboatão dos Guararapes

O grupo reivindica o pagamento de salários atrasados dos meses de junho e de julho

JC
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Publicado em 25/08/2020 às 7:19 | Atualizado em 25/08/2020 às 20:47
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Categoria tem feito protestos em frente às garagens das empresas que estão demitindo e atrasando salários - FOTO: BRUNO CAMPOS/JC IMAGEM

Atualizada às 20h42

Motoristas, cobradores e despachantes da Vera Cruz realizaram uma paralisação, que começou de manhã e entrou pela noite, nesta terça-feira (25), em frente à garagem da empresa, que fica no bairro de Prazeres, em Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife. O grupo reivindicou o pagamento de salários atrasados dos meses de junho e de julho. Desde a madrugada, nenhum veículo saiu da garagem. A paralisação afetou cerca de 40 mil passageiros, além de quatro terminais integrados, por onde os coletivos da empresa circulam, e principalmente os bairros do Ibura, na Zona Sul do Recife, e de Prazeres. A empresa possui mais de 50 linhas de ônibus e realiza o transporte com cerca de 170 veículos.

A categoria chegou a sentar no chão para cobrar o dinheiro. Em seguida, fizeram uma negociação com policiais militares que estão no local, porém, a garagem ainda não foi liberada. O despachante Ellinson José de Lima explica que os funcionários tiveram a redução de jornada de trabalho, autorizada pela medida provisória 936/2020, mas que mesmo após voltarem a trabalhar em tempo integral, o salário não voltou a ser o de antes e eles vêm recebendo cerca de 30% do valor.

Durante a noite o grupo ainda permanecia no local, porém em menor número. A dispersão teve início às 20h.

"O pessoal já vem com atraso de salário do mês de junho e julho. Agora em agosto, saiu a sansão do Governo Federal revogando por 60 dias a medida provisória, só que o pessoal já vem trabalhando em regime integral e o salário não foi compensado", relata. Segundo ele, o motorista que ganhava um salário quinzenal de cerca de R$ 945, está recebendo R$ 239. A redução também se deu para os cobradores, que de R$ 345, passaram a receber R$ 109 e para os despachantes que saíram de R$ 608 por quinzena, para R$ 164.

O presidente do Sindicato dos Rodoviários, Aldo Lima, conta que uma comissão formada por oito trabalhadores da empresa entraram na garagem para tentar fazer uma negociação. "Houve muito erro de pagamento. A empresa não negocia, não discute, não dá prazo para pagamento. Se não tem proposta, não tem acordo", declara Aldo.

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A categoria diz que não recebeu mais EPIs depois do dia 27 de abril, quando eles realizaram também um protesto - BRUNO CAMPOS/JC IMAGEM
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Os motoristas e cobradores reclamam também de problemas no plano de saúde - BRUNO CAMPOS/JC IMAGEM
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Desde a madrugada, nenhum ônibus saiu da garagem da Vera Cruz - BRUNO CAMPOS/JC IMAGEM
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Motoristas se concentraram em frente à garagem da empresa - BRUNO CAMPOS/JC IMAGEM
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Os rodoviários esperam que uma comissão se reúna com a direção da empresa - BRUNO CAMPOS/JC IMAGEM
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Nenhum ônibus da Vera Cruz saiu da garagem devido à paralisação temporária - BRUNO CAMPOS/JC IMAGEM
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Os rodoviários reivindicam o pagamento de salários atrasados, dos meses de junho e julho - BRUNO CAMPOS/JC IMAGEM
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Os motoristas e cobradores se reuniram em frente à garagem da empresa, em Jaboatão dos Guararapes - BRUNO CAMPOS/JC IMAGEM
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Rodoviários da empresa Vera Cruz realizam um protesto na manhã desta terça-feira (25) - BRUNO CAMPOS/JC IMAGEM

Outro problema ocorre em relação ao plano de saúde. "O plano é descontado pela empresa, mas não é repassado, causando aos trabalhadores o constrangimento na hora do atendimento. A empresa recolhe esses valores do salário integral e quando é para repassar, não repassam", acrescenta. Os ônibus da empresa Vera Cruz circulam pelos terminais integrados do Barro, Tancredo Neves, Aeroporto e Cajueiro Seco. 

Ao JC, durante a noite, o presidente do sindicato informou que a empresa se comprometeu a rever possíveis erros que possam ter sido cometidos no pagamento dos salários. "A gente discutiu alguns pontos com a empresa: pagamento de salários, o atraso no vale alimentação, o repasse referente ao plano de saúde, que também não foi feito, e outras demandas da categoria. De qualquer forma, a categoria está irredutível, mas esses foram esses os pontos discutidos", explicou.

Aldo ainda destacou que, por se tratar de uma manifestação espontânea, não há como saber se a paralisação terá prosseguimento nesta quarta-feira (26).

No dia 27 de abril deste ano, um grupo de rodoviários da Vera Cruz também realizou um protesto em frente à garagem da empresa. À época, a manifestação ocorreu devido ao não pagamento integral da quinzena, e à falta de Equipamento de Proteção Individual (EPI), como máscara, e à quantidade de horas trabalhadas. "Naquele momento o pessoal reivindicava os EPIs e, só depois daquele dia, forneceram apenas duas máscaras até hoje. O pessoal está correndo risco", completa Ellisson. 

Sobre a paralisação, o Grande Recife Consórcio de Transporte afirmou que montou um esquema para atender os passageiros. "O Grande Recife informa que acionou a empresa Metropolitana para minimizar o impacto causado pela paralisação na garagem da Vera Cruz, em especial, na região do Ibura", disse o órgão em nota. A reportagem entrou em contato com a empresa Vera Cruz e aguarda retorno.

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