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Denúncias de crime ligado a pedofilia na internet aumentam na pandemia; veja como age um pedófilo e como se proteger

Brasil é líder mundial em número de portais com conteúdo pornográfico infantil

JC
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Publicado em 25/09/2020 às 11:01
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Brasil é líder mundial em número de portais com conteúdo pornográfico infantil - FOTO: Pixabay
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Nesta semana, a prisão em flagrante de um presidente de ONG suspeito de armazenar pornografia infantil, no Grande Recife, chocou a população. Mas, no País que é líder mundial em número de portais com conteúdo pornográfico infantil - a cada três meses mais de mil sites vão ao ar -, o crime é mais comum do que parece. E, com a pandemia, o volume de denúncias de crime relacionados à pedofilia na internet aumentou sensivelmente.

Segundo levantamento da Polícia Federal (PF), o número de queixas cresceu 89% no primeiro semestre de 2020, quando houve 46.278 registros, em relação ao mesmo período do ano passado, que teve 24.480 notificações. Os números são nacionais. O salto é ainda maior quando se analisa o recorte da segunda quinzena de março de 2020 - os primeiros dias de pandemia no Brasil: foram 5.866 denúncias, 190% a mais que em 2019 (2.017).

O mercado movimenta grandes quantias de dinheiro: uma foto de criança nua chega a valer R$ 5 mil, e um vídeo com cenas de sexo, R$ 20 mil. E, de acordo com a PF, basta apenas 7 minutos para um pedófilo atrair uma criança e marcar um encontro com ela. Há casos em que se leva até 1 minuto.

Em razão dos dados, a Polícia Federal envia um alerta aos pais neste período em que crianças e adolescentes estão mais tempo em casa, e, por isso, mais conectados à internet. Algumas dicas de segurança e supervisão podem ser úteis para evitar ataques de cibercriminosos e pedófilos na rede.

Dicas de segurança para os filhos:

Não inclua informações pessoais em excesso:
Exemplo: números de telefone, RG, CPF, endereço, idade, nomes dos pais, escolaridade, gostos e preferências pessoais sobre filmes, música, time favorito, esportes, comidas, vestuário, planos para o futuro).

Não publique fotos em excesso:
Evite foto da frente de casa, foto do carro com a placa exposta, da fachada do colégio, fotos com muitos amigos. Através das imagens, os bandidos poderão saber qual seu círculo de amizade, poderão usar a placa do carro para localizar seu endereço, e saber a estrutura de segurança de sua casa ou da escola.

Não adicione desconhecidos:
Mantenha na lista de contatos apenas pessoas que conhece fora na vida real, como os parentes, colegas de escolas e do condomínio;

Preserve sua intimidade:
Não confie cegamente nem mesmo em conhecidos. Não repasse, compartilhe ou filme registros íntimos de fotos ou vídeos a ninguém. Até mesmo ex-parceiros podem usar as imagens como forma de vingança após um término de namoro. Também não deixe fotos ou vídeos armazenados em celulares ou câmeras, porque podem ser roubados ou perdidos e quem achar pode publicar os registros na internet.

Dicas de segurança para os pais

Mantenha vínculo de amizade com os filhos:
Saber como vai a vida do filho e manter conversas com eles vai proporcionar uma cumplicidade que pode deixar a criança confortável a procurar os pais quando se sentirem em perigo.

'Conheceu novas amizades? Notou alguma coisa ou alguém estranho próximo de você? Ficou chateado com alguém? Alguém postou algo esquisito ou estranho em seu perfil do Facebook?" são exemplos de perguntas que

Respeite o limite de idade das redes sociais:
Existe um motivo para que a idade mínima para acessar o Facebook, Instagram, Youtube e Snapchat seja de 13 anos. No WhatsApp, o limite sobe para 16 anos. A Sociedade Americana de Pediatria indica que crianças menores de 2 anos evitem o uso de eletrônicos, porque a primeira infância é um período crítico para o desenvolvimento do cérebro.

Não permita altas horas de exposição na internet:

A PF sugere que bebês de até 2 anos não tenham contato com celulares e computadores. Para crianças de 2 a 5 anos, o ideal é que passem até 1 hora em frente às telas. Crianças de 6 a 10 anos podem ficar até 2 horas conectados e, de 11 aos 18 anos, 3 horas.

Equilíbrio entre vida real e digital:

A orientação é que os pais ofereçam outras opções de lazer para combater a dependência à tecnologia. Atividades esportivas, cinemas, corridas, teatros, restaurantes, shoppings, parques e praias são algumas alternativas.

Orientar sobre os perigos:

Os pais devem lembrar os filhos de algumas recomendações, como não colocar números de documentos, endereço residencial ou da escola, nome dos pais, foto da frente de casa, foto do carro com a placa exposta, da fachada do colégio, fotos com muitos amigos, e não adicionar desconhecidos.

Ter conhecimento básico de internet e computação:

Principalmente sobre redes sociais, para poder instruir melhor os filhos.

Supervisione o acesso de forma discreta e sem ser autoritário:

"Proibir não educa e nem previne", alerta a PF. O diálogo é o melhor caminho

Tenha consentimento do filho se for acessar sua conta com sua senha:

Os pais podem acessar através de seus próprios perfis a conta do seu filho para ver o que ele tem postado e com quem tem iniciado amizades. Resista a tendência a bisbilhotar o adolescente; adicione a senha do filho só quando houver indícios sérios de que algo está errado.

Se possível, deixe o computador em um cômodo visível:

Assim, poderá monitorar a qualquer momento o acesso da criança

Qual o perfil dos pedófilos?

A Polícia Federal prendeu mais de 500 pedófilos no Brasil entre 2013 e 2018. Só este ano, foram realizadas 84 operações, que resultaram em 32 prisões. Não existe um perfil exato definido; qualquer pessoa pode ser um pedófilo. No entanto, a PF elenca algumas características em comum entre pessoas que cometem esse tipo de crime.

O órgão estima que 99% são homens de 25 a 35 anos de idade. Geralmente, elas possuem poucos amigos adultos e passam a maior parte do tempo em companhia de crianças, buscando sua amizade para atrair a atenção delas. Costumam parecer amáveis, oferecendo-lhes presentes. Podem trabalhar em locais que tenham muita criança por perto como em creches, escolas, associações de jovens, ou como animador de festas infantis;

Umas táticas que usam é de tocar a criança em suas partes íntimas "acidentalmente", para condicioná-la a achar o ato normal. Também abordam temas sexuais de forma sutil e delicada, como através de contos, para reduzir sua inibição.

Eles tendem a procurar crianças com pouca ou nenhuma supervisão dos pais e que passam a maior parte do tempo trabalhando, sem tempo para lhes dar atenção. Também buscam por aquelas que têm acesso fácil à internet e telefones sem fiscalização. Quando a criança está triste, procuram se mostrar interessados nos problemas e prometem proteção e ajuda.

Na internet, usam perfis falsos, negando a idade, nome, endereço e se fazendo passar por crianças e adolescente. Às vezes, usam informações fornecidas pela própria criança para saber como se apresentar e qual estratégia utilizar para cativá-las.

Se perguntam onde fica o computador que a criança está usando, é para saber se é um lugar onde circulam muitos adultos. Pedem para conversar de modo privado e a convencem a ligar a webcam, para fotografá-la e filmá-la. Depois, pedem que a conversa fique em segredo, e ameaçam contar para os pais ou divulgar as imagens que conseguiram, caso a criança não obedeça.

 Polícia prende brasileiro suspeito de divulgar pornografia infantil na Deep Web

Em uma das ações para coibir a ação de pedófilos na rede, a PF deflagrou, em cooperação internacional, a Operação Desvelado no dia 9 de setembro para prender um dos maiores fornecedores de pornografia infantil da Deep Web. Um brasileiro de 50 anos, de Araçatuba, em São Paulo, foi apontadopela ede da Interpol em Lyon, na França, como responsável pela criação de um dos maiores fóruns em português da rede voltado para este tipo de conteúdo.

O investigado disponibilizada a plataforma para usuários de todo mundo e publicava grandes quantidades de vídeos e fotos estuprando meninas de idades entre os 5 e os 12 anos. Na lista de possíveis vítimas, está a sua filha, que hoje é maior de idade. As outras crianças eram abordadas na rua, com promessas de presentear brinquedos.

O homem assumiu a publicação e a criação do fórum, mas negou o estupro dos menores.

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