ENSINO

Educação e tecnologia: a adaptação do ensino na pandemia

O isolamento social trouxe desafios e acelerou a incorporação de novas estratégias de ensino e aprendizagem

JC360
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Publicado em 29/11/2021 às 8:13
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Clara Amorim, estudante de pós-graduação, sentiu os impactos da pandemia logo no início do curso - FOTO: DIVULGAÇÃO
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A pandemia proporcionou a todos um momento de reflexão sobre os caminhos a serem traçados, a partir de então, em vários âmbitos da vida. Um deles, a educação. Durante o período de restrições e de isolamento social, o formato tradicional de ensino precisou ser reformulado e a tecnologia passou a ser uma aliada de extrema importância nesse processo. Se antes da chegada da Covid-19 o uso dela nas salas de aula era uma pauta bastante discutida, a chegada do coronavírus mostrou que o investimento em infraestrutura, formação de professores e familiaridade dos estudantes com atividades on-line são essenciais e um caminho sem volta.

O professor de física Isaac Soares, acostumado com as aulas no modelo tradicional, precisou se reinventar para atender às necessidades do aluno no ensino remoto. E nesse processo, o simples ato de estar posicionado diante da câmera precisou ser estudado. Mas, ao passo que a dinâmica foi definida, o mundo de possibilidades e recursos que a tecnologia permite incorporar à aula fez toda a diferença. “No online, a gente consegue ser muito objetivo e utilizar ferramentas digitais que auxiliam no aprendizado, diferentemente de quadro e piloto e do projetor”. 

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DIGITAL Isaac Soares, professor de física, precisou se reinventar - DIVULGAÇÃO

Percepção compartilhada com a também professora Sarah Biggers, que identifica muitos pontos positivos em meio ao desafio das aulas nos ambientes virtuais. “O ensino online deu a possibilidade da escola ir além do conteúdo básico curricular. Trouxemos mais pesquisas, filmes, debates, palestras… Acho que a maior lição que podemos tirar é que precisamos nos adaptar a uma educação mais diversificada e abrangente, para que não tenhamos prejuízo no aprendizado”. 

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DESAFIOS A professora Sarah Biggers identificou pontos positivos em meio ao desafio das aulas virtuais - DIVULGAÇÃO

A estudante Clara Amorim, de 26 anos, voltou aos estudos quando os primeiros casos da Covid-19 foram identificados no Brasil e acompanhou toda essa transição do modelo presencial para o ensino remoto. O curso de pós-graduação precisou ser feito de casa e os desafios do começo logo foram superados. “A educação à distância foi uma possibilidade que a instituição me proporcionou para, diante de um contexto tão desafiador, estudar e acelerar minha vida profissional. Depois disso, um leque de possibilidades foi aberto e, hoje, sou muito adepta ao ensino à distância. Fico no conforto da minha casa sem precisar alterar minha rotina, economizo tempo e dinheiro sem deslocamento e consigo conciliar a rotina de estudos com o dia a dia do trabalho. Faço diversos cursos que me permitem ser uma lifelong learner e aprender algo novo constantemente. Hoje, eu sei que eu não preciso estar presente fisicamente em nenhum lugar para adquirir conhecimento”, comenta a estudante.

O modelo de aprendizagem presencial, dentro de uma sala de aula, com cadeiras enfileiradas, não é mais o único meio capaz de prover a educação necessária para o aluno. O modelo remoto veio para ficar e tem se mostrado capaz de contribuir para a formação do estudante tanto quanto o modelo presencial. “As pessoas têm uma impressão de porque está acontecendo de forma virtual, online, tem menos valor, menos conteúdo. Isso não é verdade. É tão possível aprender no espaço virtual quanto no espaço concreto das interações físicas”, explica o professor e cientista da computação Silvio Meira.

“Vamos deixar uma pergunta no ar: O que acontece daqui pra frente, imaginando um mundo sem pandemia, se eu faltar a uma aula? Será que ela não deveria estar gravada em algum lugar? Eu não pude ir porque tinha outro compromisso, fui para o médico, por causa de alguma razão. Será que a gente vai voltar para um estado meramente físico da escola, da sala de aula, do processo de aprendizado? Eu acho que a gente não deveria. Eu acho que os sistemas devem se preparar para isso. Para daqui pra frente a educação será digital”, reflete Silvio Meira.

Ensino híbrido é o futuro

O ensino remoto contribuiu para que houvesse uma aceleração no uso de ferramentas tecnológicas por parte de alunos, professores e instituições de ensino no processo de aprendizado. Agora, com o retorno gradual das aulas presenciais em todo o país, a discussão por novas metodologias de ensino ganha um novo capítulo: o ensino híbrido.

O formato, que mescla períodos online com períodos presenciais, é um grande passo na educação brasileira e o início de uma revolução no setor. A implantação desse modelo envolve uma mudança nas aulas centradas na exposição de conteúdo e coloca o professor como um grande mediador, que planeja e desenha como cada momento será utilizado na sua potência. A introdução desse modelo no dia a dia é resposta positiva para a renovação da forma tradicional de ensino que vinha sendo aplicada no país.

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