TRAGÉDIA

Ajudante de pedreiro morto em queda de laje no Recife receberia R$ 20 pelo serviço

Marcos de Lima ajudava a construir o imóvel cuja laje desabou e o matou. O caso aconteceu na última quarta-feira (20) na Rua Catuíra, no Bairro da Torre

Katarina Moraes
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Katarina Moraes
Publicado em 22/04/2022 às 13:41 | Atualizado em 22/04/2022 às 15:35
GABRIEL FERREIRA/JC IMAGEM
O caso aconteceu na tarde por volta das 17h30 na Vila de Santa Luzia - FOTO: GABRIEL FERREIRA/JC IMAGEM
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O ajudante de pedreiro Marcos de Lima, de 43 anos, receberia R$ 20 pelas obras que fazia no imóvel cuja laje desabou e o matou. Junto a ele, outros quatro homens trabalhavam no momento no acidente, e um deles sofreu escoriações. O caso aconteceu na última quarta-feira (20) na Rua Catuíra, no Bairro da Torre, na Zona Oeste da cidade.

A informação foi dada pela filha da vítima, Bruna Lima, no enterro do pai, que aconteceu na manhã desta sexta (22) no Cemitério de Santo Amaro, na área central do Recife. "Perdeu a vida por 20 reais. Tudo que ele comprava era para dentro de casa, pão, ovo, passagem. Era muito trabalhador, todo mundo sabe disso. Peço justiça. isso não vai ficar assim", disse ela, abalada.

A casa que caiu sobre Marcos teve demolição iniciada nesta sexta-feira (22) por empresa privada contratada pela Prefeitura do Recife. Ela é de propriedade de um homem que possui diversas outras residências nas redondezas, e que não possuía autorização para construi-la.

O município sabia da irregularidade da obra desde o início da semana, segundo explicou a secretária Executiva de Controle Urbano, Marta Lima, em entrevista à TV Jornal. Segundo ela, duas visitas foram feitas ao local para identificar o proprietário e um um embargo administrativo foi feito, mas o responsável pela construção não cumpriu.

"Ele foi orientado a paralisar a construção. qualquer tipo de construção ou reforma precisam ser feitos com orientação técnica, com um responsável. Aqui não seguiu nenhum critério básico da engenharia para ter segurança", disse ela, nesta sexta, enquanto a demolição era feita.

Na quinta, ela explicou a dinâmica de como foi feita a fiscalização. "Na segunda nossa fiscalização passou no local, identificou a obra, e a pessoa se negou a dar os dados, mas a gente notificou a paralisação imediata. Ele teria que ter comparecido para dar a documentação, mas não compareceu. Viemos novamente na terça para tentar identificar o proprietário, porque essa é uma área que não tem no cadastro imobiliário, e a gente deu entrada no embargo da obra", disse ela.

Mesmo assim, a obra prosseguiu - até a queda da estrutura acontecer. Agora, o município dará início ao processo judicial contra o proprietário do imóvel, que foi identificado, mas ainda não localizado. Testemunhas afirmaram que ele estava no local na hora do acidente, mas não prestou socorro a Marcos. Os vizinhos também denunciam que ele costuma fazer construções irregulares no bairro. 

"Vários prédios aqui são construções irregulares, inclusive um na esquina, que fica próximo a minha casa. Meu medo é que, quando chove, por não ser rebocado, os pedaços ficam caindo", contou uma moradora da rua, que preferiu não ser identificada.

Para que a demolição fosse feita, mais cinco imóveis foram interditados na rua, por medidas de segurança. As famílias que neles moram foram orientadas a se abrigar na casa de familiares enquanto o serviço é feito.

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